Se Deus quiser vou me embora pro sertão
Pois a saudade me aconselha o coração
Manda que eu vá convidar Dona Chiquinha
para ser minha madrinha na Fogueira de São João
Chegando lá desabafo minha mágoa
Encho uma garrafa d'água depois enterro no chão
Peço a São João que apele pro Soberano
Pra saber se para o ano chove cedo em meu torrão
Se Deus quiser vou me embora pro sertão
Pois a saudade me aconselha o coração
Manda que eu vá convidar Dona Chiquinha
para ser minha madrinha na Fogueira de São João
Chegando lá desabafo minha mágoa
Encho uma garrafa d'água depois enterro no chão
Peço a São João que apele pro Soberano
Pra saber se para o ano chove cedo em meu torrão
******
Este espaço, tem como objetivo principal, divulgar as vozes poéticas da caatinga nordestina,em grandeza, beleza e dificuldades...Vozes daqueles(as) que vivem a respirar pela arte, o silêncio e os gritos do povo e da terra deste lugar... Mostraremos retratos sentimentais de um bioma rico em diversidade de vidas e culturas, mas que no entanto, pouco é estudado, e menos ainda compreendido...Um bioma que muda a cara para sobreviver as prolongadas estiagens...
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Caatinga/ mandacaru em flores
Visitantes
quinta-feira, 13 de junho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga Lembra a festa Junina de 2009
Nordeste em festa
Noite orgulhosa e festiva
Ruas enfeitadas com bandeiras
Fogueira acesa clareia
O terreiro e a rua pra dançar
Um forró de grande arrasta pé
Tem festa junina e quadrilha
É casamento de Ritinha e José
Explodem-se fogos brilhantes
Pra acordar os santos festeiros
E a noite se alegra com mil cores
Pra receber Antonio, João e Pedro
Numa festa animada
Pra ninguém botar defeito
Arraiá do meu nordeste
Que conquista nosso Brasil
***
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga
Natal /22.06.09
Texto do meu livro "Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga"
terça-feira, 28 de maio de 2013
Inverno na Caatinga - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
**Inverno na Caatinga**
Inverno na Caatinga
Traz verde em tons diversos
Traz flores em qualquer canto
Traz fartura na roça e no campo
Traz esperança a quem mora lá
A mata logo ressuscita
O rio volta a correr pelas campinas
Os animais retornam de suas migrações
As borboletas multicores voam felizes
O vento sente o seu frescor
Misturar-se ao perfume da mata
A noite é cheia de cantares
Escuta-se um coral com vozes
Dos rios, riachos e cachoeiras
Dos sapos e grilos
Dos trovões
E do vento a sibilar
Nos telhados e árvores
Tudo ali é belo
E infinitas vidas
Aparecem em cores e formas
Há uma explosão de felicidade
E num espetáculo magnífico
A caatinga encanta os olhos
Da alma sensível
Que para ela seu olhar lançar...
***
Poetisa da Caatinga
Natal/26.05.09
***
Homenagem a minha sagrada Caatinga-Berço onde nasci!
Texto do meu livro "Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga"- 2010
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Andando no meu paraíso... A Caatinga verde - Voz de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
Andando no meu paraíso... A Caatinga verde
É assim que estar nossa caatinga
Um paraíso a encantar a alma
E hoje pude passear livremente
Como antigamente
Nos tempos em que lá morava
Com o coração cheio de júbilo
Andei a contemplar
Grandes e minúsculas belezas
Pelos campos e beiras de estradas
Em família
Colhi flores
Senti o cheiro da terra
Escutei o barulho das águas
E admirei com os olhos da alma
A vida que explode de alegria
Em cores e sons
Na fauna e na flora
Da nossa magnífica e tão minha
Sensível caatinga
Depois de tudo de belo e harmonioso
Que tive o privilégio
De mais uma vez contemplar
A minha alma voltou envolvida
Por um manto de alegria
Que agora guardei em meu coração
E peço a Deus
Que quando um dia
Eu não estiver mais nesta dimensão
Tenha deixado no meu paraíso
Nessa bela terra
Algumas sementes plantadas
Em corações férteis
Para que possam infinitamente
Perpetuar esse amor
Que sempre esteve
Bem dentro da minha alma
E se possível for
Que o meu coração
Com os meus sentimentos
Seja plantado
Num lugar verde
No topo da mais alta serra
E que possa ser transformado
Numa frondosa árvore...
***
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga
Natal: 25.05.09
Texto publicado em 2010 na obra "Retratos sentimentais da Vida na Caatinga"
Voz maviosa de Zé Ramalho - Lamento Sertanejo

Zé Ramalho
Composição:
Gilberto Gil e Dominguinhos
Por
ser de láDo sertão, lá do cerrado
Lá do interior do mato
Da caatinga, do roçado
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase que não consigo
Viver na cidade
Sem ficar contrariado
Por ser de lá
Na certa por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão
Boiada caminhando a esmo
***
Essa música parece muito comigo.
Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Imagem de plena paz - Gêmeos deram as mãos depois de nascerem
Imagem 83 de 83
17.mai.2013 - Os gêmeos Danel e Maria deram as mãos pouco depois de nascerem em San Sebastián, na Espanha. O registro do momento especial causou comoção nas redes sociais espanholas e logo ganhou o mundo. A foto foi tirada por um enfermeiro da maternidade e, segundo o obstetra Javier Rodríguez, que fez o parto dos gêmeos, o momento foi algo quase instintivo: "Os bebês se buscaram inconscientemente, como se quisessem prolongar fora do útero a sensação de estar tanto tempo juntos", disse o médico EFE
- Informações sobre o álbums
- editoria:
- galeria:
- link: http://fotos.noticias.bol.uol.com.br:80/imagensdodia/2013/05/13/confira-os-fatos-da-semana-entre-13-e-17-de-maio.htm
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Para uma Roseira que sobreviveu a seca de 1958
Para uma Roseira que sobreviveu a seca de 1958
Minha Mãe!
Teve que deixar seu lar
Seus irmãos e irmãs
Seus amigos e amigas
E eu, fico pensando... Será que ela chorou?
Ou por ser inocente se alegrou?
Sei que lá junto a sua tia
Ela viveu feliz por vários anos
Transitando entre a saudade e a bonança
Coitada da minha mãe Roseira!
Menina morena!
De olhos cor de jabuticaba
Era magra, com cintura fina feito pilão
E tinha lindos e longos cabelos pretos
Mais belo ainda!
Era seu nome!
Maria Jacira!
Nome de Santa e de Índia
Essa roseira, tinha um apelido
Todos a chamavam de Jarina
E por esse nome ficou conhecida
Jarina, é uma linda e imponente planta da Região Amazônica
Da qual, de cujos frutos, saem belas sementes
E os povos da floresta, os transforma em lindos colares
Eu não sei o porquê desse apelido
Mas adorei! Quando conheci a história da planta.
E minha Roseira, num cenário de seca e terror
Viveu bons momentos...
Num tempo em que a fome
Matava muitos membros das famílias
Algum tempo após essa seca
A Roseira voltou para seu lar
E lá, só ficou por pouco tempo
Pois logo, ela encontrou um cravo
E com ele se casou.
Ah! Penso que não era o cravo esperado
Ele apenas a seduziu pela beleza
Que nela havia
E todo ano essa Roseira junto a esse cravo
Gerava um botão que depois
Desabrochava em flor
Mas a flor murchava e caía
Não chegava a frutificar
E alguns botões nem desabrochavam,
Caiam antes mesmo de chegar ao estágio de flor
Eu fui seu segundo botão a desabrochar e virar fruto
Pois o primeiro murchou e morreu assim que desabrochou
E de todos os botões e flores da minha Mãe Roseira
A natureza selecionou apenas 08 (oito)
Para chegar a ser flor e fruto
E começar um novo ciclo de vida
E assim,
De tão sofrida pela vida...
De tanto lutar para sustentar seus frutos
Maria Jacira
Ou
Simplesmente Jarina
Adquiriu várias patologias
Inclusive mental e cardíaca
Mas ainda em vida
Ela viu e contemplou a beleza
Dos seus frutos que a vida selecionou
E lhe deu como Dádiva de Deus
Depois ela se foi...
Para sempre!
E eu vivo a escrever para ela
O que em vida tinha vergonha de dizer
Coisas da nossa cultura familiar...
A gente não era apegada fisicamente
Porém, entre nós, sempre houve um eterno amor.
Te amo! Minha Roseira Maria Jacira
Ou apenas,
Minha Mãe Jarina...
Uma frágil Roseira
Santa e Índia!
***
Fátima Alves/ poetisa da Caatinga
Natal/30.11.2011
Era 1958, uma grande seca assolava
vários municípios do Nordeste, e aqui no RN num povoado chamado Baxio de
Nazaré, na época, pertencente a São Miguel (área serrana) do alto Oeste deste
Estado, morava Minha Roseira, aquela que mais tarde desabrocharia botões,
flores e finalmente frutos... E seria minha Mãe!
Dizem que a minha Roseira, ainda sem botões e sem flores, já se mostrava linda... Mas naquela terrível seca, para não morrer por falta de nutrientes, seus pais a passaram para ser cuidada por uma tia (Maria José) que tinha mais condições.
E a Roseira ainda meninaDizem que a minha Roseira, ainda sem botões e sem flores, já se mostrava linda... Mas naquela terrível seca, para não morrer por falta de nutrientes, seus pais a passaram para ser cuidada por uma tia (Maria José) que tinha mais condições.
Teve que deixar seu lar
Seus irmãos e irmãs
Seus amigos e amigas
E eu, fico pensando... Será que ela chorou?
Ou por ser inocente se alegrou?
Sei que lá junto a sua tia
Ela viveu feliz por vários anos
Transitando entre a saudade e a bonança
Coitada da minha mãe Roseira!
Menina morena!
De olhos cor de jabuticaba
Era magra, com cintura fina feito pilão
E tinha lindos e longos cabelos pretos
Mais belo ainda!
Era seu nome!
Maria Jacira!
Nome de Santa e de Índia
Essa roseira, tinha um apelido
Todos a chamavam de Jarina
E por esse nome ficou conhecida
Jarina, é uma linda e imponente planta da Região Amazônica
Da qual, de cujos frutos, saem belas sementes
E os povos da floresta, os transforma em lindos colares
Eu não sei o porquê desse apelido
Mas adorei! Quando conheci a história da planta.
E minha Roseira, num cenário de seca e terror
Viveu bons momentos...
Num tempo em que a fome
Matava muitos membros das famílias
Algum tempo após essa seca
A Roseira voltou para seu lar
E lá, só ficou por pouco tempo
Pois logo, ela encontrou um cravo
E com ele se casou.
Ah! Penso que não era o cravo esperado
Ele apenas a seduziu pela beleza
Que nela havia
E todo ano essa Roseira junto a esse cravo
Gerava um botão que depois
Desabrochava em flor
Mas a flor murchava e caía
Não chegava a frutificar
E alguns botões nem desabrochavam,
Caiam antes mesmo de chegar ao estágio de flor
Eu fui seu segundo botão a desabrochar e virar fruto
Pois o primeiro murchou e morreu assim que desabrochou
E de todos os botões e flores da minha Mãe Roseira
A natureza selecionou apenas 08 (oito)
Para chegar a ser flor e fruto
E começar um novo ciclo de vida
E assim,
De tão sofrida pela vida...
De tanto lutar para sustentar seus frutos
Maria Jacira
Ou
Simplesmente Jarina
Adquiriu várias patologias
Inclusive mental e cardíaca
Mas ainda em vida
Ela viu e contemplou a beleza
Dos seus frutos que a vida selecionou
E lhe deu como Dádiva de Deus
Depois ela se foi...
Para sempre!
E eu vivo a escrever para ela
O que em vida tinha vergonha de dizer
Coisas da nossa cultura familiar...
A gente não era apegada fisicamente
Porém, entre nós, sempre houve um eterno amor.
Te amo! Minha Roseira Maria Jacira
Ou apenas,
Minha Mãe Jarina...
Uma frágil Roseira
Santa e Índia!
***
Fátima Alves/ poetisa da Caatinga
Natal/30.11.2011
terça-feira, 14 de maio de 2013
Um acróstico para Gabriela Mabel ( minha Sobrinha)
Oi Mabelzinha!
Gosto tanto de ser sua tia!
***
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga
Natal: 14.05.2013
Gosto tanto de ser sua tia!
Amável e linda tu és!
Bela tal como uma flor
Risos branco de ternura
Inteligente e sensata
E da mãe és uma estrela
Luz que clareia
ela
Amor que lhe faz feliz!
:)
Menina de fino trato
A gente só quer teu bem
Bondosa sabes que és!
E toda a família te ama
Lua Nova de nossas vidas!***
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga
Natal: 14.05.2013
Amor de mãe!

Patrícia e seu filho Thiago Batalha. Olha o que diz Thiago para a sua mamãe!
Mãe!
O nosso amor é como um vulcão
Quando explode
Sai um monte de coração
( autor: Thiago Batalha)
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Em pleno dia! Encontrei uma Coruja... Voz de poetisa da Caatinga Potiguar
Em pleno dia! Encontrei uma Coruja...Na beira da estrada carroçada
Pousada numa estaca da cerca de arame
Lá estava uma coruja
Com jeito de espiã daquela terra
Quando a avistei me surpreendi
Pois ela não voou do seu lugar
Nos deixou bem perto chegar
Parecendo querer nos conhecer
E pra maior surpresa nossa
Se deixou fotografar várias vezes
Enquanto girava sua cabeça até 180 graus
E parecia estar olhando em nossos olhos
Nos fazendo ficar por ela encantados
Pobre coruja!
Tão linda!
Tão sensível
Tão útil
Tão incompreendida...
Tão pouco vista...
Até quando poderá viver ali
E pousar em liberdade
A vigiar seu espaço
Na beira de qualquer estrada
Magnífica coruja!
Para os gregos és símbolo de sabedoria
E para outros povos és símbolo de agouro
Porém, para quem aprendeu a amar a natureza
Tu és simplesmente uma ave noturna
Necessária ao equilíbrio do planeta
Que precisa ser conhecida e preservada
E sobretudo amada...
Para mim tu és minha irmã
Porque considero a terra minha suprema Mãe
Maria de Fátima Alves de Carvalho
Pousada numa estaca da cerca de arame
Lá estava uma coruja
Com jeito de espiã daquela terra
Quando a avistei me surpreendi
Pois ela não voou do seu lugar
Nos deixou bem perto chegar
Parecendo querer nos conhecer
E pra maior surpresa nossa
Se deixou fotografar várias vezes
Enquanto girava sua cabeça até 180 graus
E parecia estar olhando em nossos olhos
Nos fazendo ficar por ela encantados
Pobre coruja!
Tão linda!
Tão sensível
Tão útil
Tão incompreendida...
Tão pouco vista...
Até quando poderá viver ali
E pousar em liberdade
A vigiar seu espaço
Na beira de qualquer estrada
Magnífica coruja!
Para os gregos és símbolo de sabedoria
E para outros povos és símbolo de agouro
Porém, para quem aprendeu a amar a natureza
Tu és simplesmente uma ave noturna
Necessária ao equilíbrio do planeta
Que precisa ser conhecida e preservada
E sobretudo amada...
Para mim tu és minha irmã
Porque considero a terra minha suprema Mãe
Maria de Fátima Alves de Carvalho
Natal:20.09.09
Créditos da foto : do meu filho Espedito Segundo
“Aos que amam a natureza”
Texto publicado em minha Obra "Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga".
Créditos da foto : do meu filho Espedito Segundo
“Aos que amam a natureza”
Texto publicado em minha Obra "Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga".
Manhã Alegre - Fatima Alves - Poetisa da Caatinga
Manhã alegre!
Sabe a coruja que vem chegando
E se prepara pra repousar
Um véu de ouro
Lá no horizonte
Vem clareando
E as estrelas vão descansar
Desperta a mata
E acorda os pássaros
Que saem dos ninhos
Pra lhe esperar
Cantando em coro a lhe encantar
Lá vem o Sol! Todo orgulhoso
No mar desponta em esplendor
Com mornos raios
A nos banhar
Em pouco tempo
Sobe a serra
Acorda as flores
E vai reinar...
***
Fátima Alves/Poetisa da Caatinga
Natal: 13.11.08
Sabe a coruja que vem chegando
E se prepara pra repousar
Um véu de ouro
Lá no horizonte
Vem clareando
E as estrelas vão descansar
Desperta a mata
E acorda os pássaros
Que saem dos ninhos
Pra lhe esperar
Cantando em coro a lhe encantar
Lá vem o Sol! Todo orgulhoso
No mar desponta em esplendor
Com mornos raios
A nos banhar
Em pouco tempo
Sobe a serra
Acorda as flores
E vai reinar...
***
Fátima Alves/Poetisa da Caatinga
Natal: 13.11.08
Texto da minha Obra: "Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga
Foto: Emanoel Milhomens de Carvalho
**Inspiração na janela**- Poetisa da Caatinga
Inspiração na janela
Da janela da minha casa
Vejo o mundo do meu jeito
E um velho cajueiro
Me traz muita inspiração
Á sua sombra abriga
Um pequeno jardim verde
Onde uma samambaia
Quer pra ela o meu olhar
Pra mim tudo ali é lindo
E bem pertinho da janela
Vive exalando cheiros
Minha bela Rosa prata
Mas adiante há bugaris
Pequeninas rosas brancas
Que me encantam com beleza
E perfumam meu viver
Também tem jasmim vermelho
Que de tanto ser cheiroso
Enciúma a Rosa Amélia
E a faz pensar que ele
Vai roubar o seu perfume
E ainda tem hibiscos
Esbanjando sua beleza
Que atrai o beija-flor
Por preferir suas cores
Nesse jardim todos se amam
E nem por isso deixam de ter
Um ciuminho tão danado
Pra ganhar o meu olhar
Quando chego na janela
Fátima Alves/Poetisa da Caatinga
Da janela da minha casa
Vejo o mundo do meu jeito
E um velho cajueiro
Me traz muita inspiração
Á sua sombra abriga
Um pequeno jardim verde
Onde uma samambaia
Quer pra ela o meu olhar
Pra mim tudo ali é lindo
E bem pertinho da janela
Vive exalando cheiros
Minha bela Rosa prata
Mas adiante há bugaris
Pequeninas rosas brancas
Que me encantam com beleza
E perfumam meu viver
Também tem jasmim vermelho
Que de tanto ser cheiroso
Enciúma a Rosa Amélia
E a faz pensar que ele
Vai roubar o seu perfume
E ainda tem hibiscos
Esbanjando sua beleza
Que atrai o beija-flor
Por preferir suas cores
Nesse jardim todos se amam
E nem por isso deixam de ter
Um ciuminho tão danado
Pra ganhar o meu olhar
Quando chego na janela
Fátima Alves/Poetisa da Caatinga
Nata:16.05.09
Texto da minha Obra:" Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga"
Texto da minha Obra:" Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga"
segunda-feira, 1 de abril de 2013
**Clamando por Chuvas!** - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
**Clamando por Chuvas!**
Oh, Sagrada Chuva!
Onde tu estais?
Estamos a te esperar...
E quase não há mais esperanças
Já roubamos O Santo!
Acendemos velas!
Oramos e rezamos sem parar!
Até chegar o dia de São José
E quem roubou esse Santo
O devolveu em procissão
Porque no seu dia
As nuvens banharam a Caatinga
Mas pararam por aí!
Onde está a chuva meu Deus?
São José não é mais ouvido?
Onde foi parar os clamores
Dos nordestinos protestantes?
Que pediram diretamente a ti
E Tu, também não os ouvistes?
Oh, Pai! O cenário é triste...
Muito triste! É terrível de se ver!
Já falta a água em muitos lugares
E os animais estão morrendo
Na beira das estradas
Por falta de comida e água!
Oh, Pai Altíssimo!
Escuta os clamores do teu povo
E manda chuva!
Porque em qualquer tempo
Na Caatinga a Chuva é Sagrada
Oh, Pai de Misericórdia!
Muda esse quadro de horror
E faz descer do céu
O esplendor das tuas nuvens
Para salvar os animais que de fome e sede
Estão fracos e tremendo
Caindo e agonizando
Sob Sol escaldante na beira das estradas
Muda Pai!
Muda este cenário!
Devolve a vida A Caatinga!
Teu poder tudo pode!
***
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga
Natal: 01.04.2013
Oh, Sagrada Chuva!
Onde tu estais?
Estamos a te esperar...
E quase não há mais esperanças
Já roubamos O Santo!
Acendemos velas!
Oramos e rezamos sem parar!
Até chegar o dia de São José
E quem roubou esse Santo
O devolveu em procissão
Porque no seu dia
As nuvens banharam a Caatinga
Mas pararam por aí!
Onde está a chuva meu Deus?
São José não é mais ouvido?
Onde foi parar os clamores
Dos nordestinos protestantes?
Que pediram diretamente a ti
E Tu, também não os ouvistes?
Oh, Pai! O cenário é triste...
Muito triste! É terrível de se ver!
Já falta a água em muitos lugares
E os animais estão morrendo
Na beira das estradas
Por falta de comida e água!
Oh, Pai Altíssimo!
Escuta os clamores do teu povo
E manda chuva!
Porque em qualquer tempo
Na Caatinga a Chuva é Sagrada
Oh, Pai de Misericórdia!
Muda esse quadro de horror
E faz descer do céu
O esplendor das tuas nuvens
Para salvar os animais que de fome e sede
Estão fracos e tremendo
Caindo e agonizando
Sob Sol escaldante na beira das estradas
Muda Pai!
Muda este cenário!
Devolve a vida A Caatinga!
Teu poder tudo pode!
***
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga
Natal: 01.04.2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
Poetisa da Caatinga faz versos para seu neto!
Acróstico para José Emanuel ( Meu Neto)
Menino abençoado
Jeová sempre te guiará
Os teus caminhos serão livres
Sua mãe vela por ti a Deus
És para nós uma benção!
E todos haverão de te amar...
Mas de tua mãe és troféu!
Anjos do céu te trouxeram
Nunca te faltará “Amor”
Uma vida feliz tu terás
E orgulharás teus pais
Liberdade será teu lema
***
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga
Natal:17.02.2013
Menino abençoado
Jeová sempre te guiará
Os teus caminhos serão livres
Sua mãe vela por ti a Deus
És para nós uma benção!
E todos haverão de te amar...
Mas de tua mãe és troféu!
Anjos do céu te trouxeram
Nunca te faltará “Amor”
Uma vida feliz tu terás
E orgulharás teus pais
Liberdade será teu lema
***
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga
Natal:17.02.2013
Repintando meu viver ! Voz de Fátima Alves (Poetisa da Caatinga)
| Fiz este palhacinho para meu neto ou neta |
Repintando meu viver...
Uma semente de alegria
Foi plantada na minha vida
E já vive a germinar
Envolvida com amor
Em breve terei nos braços
Um sorriso inocente
Filho ou filha do meu filho
Que em maio nascerá!
Agora já sou avó
Antes mesmo de nascer
Essa criança querida
Que pra mim já trouxe cores
Repintando meu viver...
*********
Fátima Alves / Poetisa da Caatinga
Natal/02.11.2012
Uma semente de alegria
Foi plantada na minha vida
E já vive a germinar
Envolvida com amor
Em breve terei nos braços
Um sorriso inocente
Filho ou filha do meu filho
Que em maio nascerá!
Agora já sou avó
Antes mesmo de nascer
Essa criança querida
Que pra mim já trouxe cores
Repintando meu viver...
*********
Fátima Alves / Poetisa da Caatinga
Natal/02.11.2012
Para a Criança de Espedito Segundo e Jaline Medeiros
Que nos trouxe a alegria!
Voz teológica de Cristina Cairo - As 07 Leis Universais
AS 7 LEIS UNIVERSAIS
Estudos Teológicos de Cristina Cairo
|
quinta-feira, 7 de março de 2013
Eu... Mulher Poeta! - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
Eu... Mulher Poeta!
Eu... mulher poeta!
Quase não sou compreendida
E muitas vezes mal entendida
Vivo e sinto a vida em dois mundos
Transitando sem parar
Do meu mundo, pro mundo nosso
E só assim sei caminhar...
Pois nos dois mundos
Gosto de estar
E cada mundo
Vem me chamar
Pra que ocupe o meu lugar
O mundo meu...
É pleno em tudo
Lá a magia vive a reinar
No qual eu sou rainha e fada
E nele tenho todo o poder
Pra combater forças do mal
O impossível não entra lá
E o meu mundo é tão esplêndido
Que o desejo sempre pra nós
O mundo nosso...
É diferente!
A plenitude nele não reina
E há duelos que nunca acabam
Porque o mal também existe
Embora o bem ninguém derrote
E nesse mundo eu sou mulher
Mulher que vive sempre a lutar
Na esperança de transformar
Cada recanto por onde ando
Num paraíso feito meu mundo
E esse mundo ser um bem nosso
Meu mundo...
Esse dos meus desejos...
Não é real no plano físico
E só existe na minha subjetividade
Mas mesmo assim
Entro nele toda vez
Que e o desejo resolve me levar
E ao voltar trago em meu corpo
Esse mundo desenhado
Real é o nosso mundo
Este que por breve tempo
Estamos apenas de passagem
Caminhando numa estrada
Que ainda não conhecemos seu final
E que talvez ninguém deseje
Terminar de fato, o seu percurso
Nosso mundo real se faz finito
Mas justo na sua finitude
Existe uma tênue ponte
A ligar esses dois mundos
E ao descobrir essa passagem
Passei a viver a plenitude
Que me permite cada um deles
E assim me descobri mulher poeta
Ser mais subjetivo que real
Ser de muita luz...
Luz azulada!
Bem sensível
Mulher que sente e escreve os sentimentos
Que cada mundo lhe demanda interpretar
Ou simplesmente soletrar com coração
Cada palavra que o vento lhe mostrar
Mulher poeta! Alma sensível
Vive em dois mundos
Tentando entender e melhorar o nosso
É dessa forma que vivo e sou
Indo e vindo do eu pro nosso
Ou vice versa...
E se nosso mundo...
Amanhecer bem cinzento
Lá no meu mundo...
Posso encontrar-me com o sol
E até trazer pra este nosso mundo
Raios de luz...
Com as cores do arco-íris
Porque Deus me fez ser
Uma mulher poeta!
Criatura com sentidos especiais
Pra colorir e transformar
Qualquer espaço do nosso mundo
Com o que vejo no meu mundo...
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga
Natal: 15.04.09
“ Ás mulheres que Deus fez poetas”
Eu... mulher poeta!
Quase não sou compreendida
E muitas vezes mal entendida
Vivo e sinto a vida em dois mundos
Transitando sem parar
Do meu mundo, pro mundo nosso
E só assim sei caminhar...
Pois nos dois mundos
Gosto de estar
E cada mundo
Vem me chamar
Pra que ocupe o meu lugar
O mundo meu...
É pleno em tudo
Lá a magia vive a reinar
No qual eu sou rainha e fada
E nele tenho todo o poder
Pra combater forças do mal
O impossível não entra lá
E o meu mundo é tão esplêndido
Que o desejo sempre pra nós
O mundo nosso...
É diferente!
A plenitude nele não reina
E há duelos que nunca acabam
Porque o mal também existe
Embora o bem ninguém derrote
E nesse mundo eu sou mulher
Mulher que vive sempre a lutar
Na esperança de transformar
Cada recanto por onde ando
Num paraíso feito meu mundo
E esse mundo ser um bem nosso
Meu mundo...
Esse dos meus desejos...
Não é real no plano físico
E só existe na minha subjetividade
Mas mesmo assim
Entro nele toda vez
Que e o desejo resolve me levar
E ao voltar trago em meu corpo
Esse mundo desenhado
Real é o nosso mundo
Este que por breve tempo
Estamos apenas de passagem
Caminhando numa estrada
Que ainda não conhecemos seu final
E que talvez ninguém deseje
Terminar de fato, o seu percurso
Nosso mundo real se faz finito
Mas justo na sua finitude
Existe uma tênue ponte
A ligar esses dois mundos
E ao descobrir essa passagem
Passei a viver a plenitude
Que me permite cada um deles
E assim me descobri mulher poeta
Ser mais subjetivo que real
Ser de muita luz...
Luz azulada!
Bem sensível
Mulher que sente e escreve os sentimentos
Que cada mundo lhe demanda interpretar
Ou simplesmente soletrar com coração
Cada palavra que o vento lhe mostrar
Mulher poeta! Alma sensível
Vive em dois mundos
Tentando entender e melhorar o nosso
É dessa forma que vivo e sou
Indo e vindo do eu pro nosso
Ou vice versa...
E se nosso mundo...
Amanhecer bem cinzento
Lá no meu mundo...
Posso encontrar-me com o sol
E até trazer pra este nosso mundo
Raios de luz...
Com as cores do arco-íris
Porque Deus me fez ser
Uma mulher poeta!
Criatura com sentidos especiais
Pra colorir e transformar
Qualquer espaço do nosso mundo
Com o que vejo no meu mundo...
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga
Natal: 15.04.09
“ Ás mulheres que Deus fez poetas”
Poetisa da Caatinga mostra Vinicius de Moraes cantando à São Franciso

Lá vai São Francisco
Pelo caminho
De pé descalço
Tão pobrezinho
Dormindo à noite
Junto ao moinho
Bebendo a água
Do ribeirinho.
Lá vai São Francisco
De pé no chão
Levando nada
No seu surrão
Dizendo ao vento
Bom dia amigo
Dizendo ao fogo
Saúde irmão.
Lá vai São Francisco
Pelo caminho
Levando ao colo
Jesus Cristinho
Fazendo festa
No menininho
Contando histórias
Pros passarinhos.
Lá vai São Francisco
Pelo caminho
sexta-feira, 1 de março de 2013
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga mostra mais um texto do seu 2º livro.
Cenário de seca
Sol alegre secando tudo
Calor abrasador
Poeira dançando ao vento
Com redemoinhos assustadores
E um lindo céu azul turquesa
Com nuvens branquinhas e fofas
Tal qual travesseiros dos anjos
Envolvem a caatinga quase sem vida
Em tempos de seca malvada
Malvada porque tudo ela queima
E nem liga pra gente que sofre
Rezando pra chuva chegar
Buscando a água tão distante
E sonhando com o verde
Que traz a fartura
Fartura de vidas
Que cantam e dançam
No espaço e no chão
Porque é assim deslumbrante
Que fica a caatinga
Quando o sol permite
Que a água lhe banhe
E com verde lhe envolva...
Fátima Alves:Poetisa da Caatinga
Natal: 30.02.2010
Calor abrasador
Poeira dançando ao vento
Com redemoinhos assustadores
E um lindo céu azul turquesa
Com nuvens branquinhas e fofas
Tal qual travesseiros dos anjos
Envolvem a caatinga quase sem vida
Em tempos de seca malvada
Malvada porque tudo ela queima
E nem liga pra gente que sofre
Rezando pra chuva chegar
Buscando a água tão distante
E sonhando com o verde
Que traz a fartura
Fartura de vidas
Que cantam e dançam
No espaço e no chão
Porque é assim deslumbrante
Que fica a caatinga
Quando o sol permite
Que a água lhe banhe
E com verde lhe envolva...
Fátima Alves:Poetisa da Caatinga
Natal: 30.02.2010
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
O céu da Caatinga - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
O céu da Caatinga!
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Um céu azul turquesa ou piscina
Com poucas nuvens branquinhas
E as vezes sem nuvem nenhuma
Quando é tempo de extensa seca
Assim o céu cobre a caatinga
Com beleza sem igual
Num azul onde a alma repousa
E os pensamentos livres voam...
Com poucas nuvens branquinhas
E as vezes sem nuvem nenhuma
Quando é tempo de extensa seca
Assim o céu cobre a caatinga
Com beleza sem igual
Num azul onde a alma repousa
E os pensamentos livres voam...
***
Fatima Alves: Poetisa da Caatinga
Natal: 09.08.2009
“Ao céu da nossa Caatinga”
Foto de minha autoria
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Fatima Alves mostra as belezas da Caatinga e do seu Estado RN
Um canto aos encantos do RN
***
***
Nossas terras tão sofridas!
Por descuido e préconceito
Tem belezas sem igual
Tanto mar... e tantas serras
Temos vales grandiosos
Muitas dunas e salinas
E a singular caatinga
Que pra esperar a chuva
Perde o verde e fica cinza
Se encanta por um tempo
Mas depois é paraíso...
***
Nossa terra tão sofrida!
Não me canso de cantar
Cada canto onde vou
Vem pedir meu versejar
E se exibe para mim
Pra que eu possa mostrar
Por letras de sentimentos
Como é lindo esse lugar
***
Nossa terra tão sofrida!
Por visões equivocadas
Mostra um povo miseráve
Mendigando seu viver
São imagens assustadoras
Para o mundo socorrer
Com remédios analgésicos
Que camufla e não resolve
Humilhando nosso povo
Pra assim sempre sofrer
***
Eu não gosto de nos ver
Ser retrato de miséria...
Gente que vive morrendo
Por não ter cidadania
Num lugar tão magnífico
“Ser mendigo que trabalha”
Se o trabalho enobrece?
Precisamos desfrutá-lo
Temos frutos pra colher
E não posso aceitar
Que essa seja nossa imagem
***
Quero ver nossa cultura
Respeitada e difundida
Cada ponto do RN
Tem um jeito de viver
Da caatinga ao litoral
Todo mundo sabe ser
Simplesmente o que se é
Mas precisa condições
Pra chegar aos ideais
Do futuro planejado
Bem melhor que no presente
***
Nossa terra tão sofrida!
Tem riquezas no seu chão
Seus vales, chapadas e serras
Produtivos sempre são
E até a água escassa
Só não chega onde falta
Por não termos instrumentos
Pra chegar no lençol dágua
Que estar no subsolo
E ninguém pode usá-lo
***
Nosso povo é tão bonito
No seu jeito natural!
Quando vive em seu lugar
É o amor que reina lá
Todo mundo é tão unido
E consegue se ajudar
Mesmo nas dificuldades
Se aprende a partilhar
E a dor de qualquer um
Não dói mais pois é de todos
***
Meu lugar eu sei amar
Do jeitinho que ele é...
Se é praia ou é caatinga
Tudo aqui tem seu valor
Não comparo essas grandezas
E respeito as diferenças
Porque cada uma tem
O que Deus determinou
E se a gente entende isso
Só amor vai plantar lá
***
Eu nasci nessa caatinga
Que parece estorricada!
Pra viver eu aprendi
Conviver com as suas leis
Se tem água vou plantar
Cultivar e armazenar
Pra no tempo que faltar
Já saber onde ir buscar
Sem precisar mendigar
A quem só quer explorar
***
Uma coisa eu bem sei
Minha alma é desta terra!
E não quero ser queimada
Pelo o olhar de quem não sente
Pré-conceito espanto logo
Somos fortes e valentes
Criativos e persistentes
Canto o canto do meu povo
E hei de viver cantando
As grandezas potiguares
Vou cantar até o meu fim...
...
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga
Natal:11.11.09
“Á terra onde Deus me fez nascer”
Por descuido e préconceito
Tem belezas sem igual
Tanto mar... e tantas serras
Temos vales grandiosos
Muitas dunas e salinas
E a singular caatinga
Que pra esperar a chuva
Perde o verde e fica cinza
Se encanta por um tempo
Mas depois é paraíso...
***
Nossa terra tão sofrida!
Não me canso de cantar
Cada canto onde vou
Vem pedir meu versejar
E se exibe para mim
Pra que eu possa mostrar
Por letras de sentimentos
Como é lindo esse lugar
***
Nossa terra tão sofrida!
Por visões equivocadas
Mostra um povo miseráve
Mendigando seu viver
São imagens assustadoras
Para o mundo socorrer
Com remédios analgésicos
Que camufla e não resolve
Humilhando nosso povo
Pra assim sempre sofrer
***
Eu não gosto de nos ver
Ser retrato de miséria...
Gente que vive morrendo
Por não ter cidadania
Num lugar tão magnífico
“Ser mendigo que trabalha”
Se o trabalho enobrece?
Precisamos desfrutá-lo
Temos frutos pra colher
E não posso aceitar
Que essa seja nossa imagem
***
Quero ver nossa cultura
Respeitada e difundida
Cada ponto do RN
Tem um jeito de viver
Da caatinga ao litoral
Todo mundo sabe ser
Simplesmente o que se é
Mas precisa condições
Pra chegar aos ideais
Do futuro planejado
Bem melhor que no presente
***
Nossa terra tão sofrida!
Tem riquezas no seu chão
Seus vales, chapadas e serras
Produtivos sempre são
E até a água escassa
Só não chega onde falta
Por não termos instrumentos
Pra chegar no lençol dágua
Que estar no subsolo
E ninguém pode usá-lo
***
Nosso povo é tão bonito
No seu jeito natural!
Quando vive em seu lugar
É o amor que reina lá
Todo mundo é tão unido
E consegue se ajudar
Mesmo nas dificuldades
Se aprende a partilhar
E a dor de qualquer um
Não dói mais pois é de todos
***
Meu lugar eu sei amar
Do jeitinho que ele é...
Se é praia ou é caatinga
Tudo aqui tem seu valor
Não comparo essas grandezas
E respeito as diferenças
Porque cada uma tem
O que Deus determinou
E se a gente entende isso
Só amor vai plantar lá
***
Eu nasci nessa caatinga
Que parece estorricada!
Pra viver eu aprendi
Conviver com as suas leis
Se tem água vou plantar
Cultivar e armazenar
Pra no tempo que faltar
Já saber onde ir buscar
Sem precisar mendigar
A quem só quer explorar
***
Uma coisa eu bem sei
Minha alma é desta terra!
E não quero ser queimada
Pelo o olhar de quem não sente
Pré-conceito espanto logo
Somos fortes e valentes
Criativos e persistentes
Canto o canto do meu povo
E hei de viver cantando
As grandezas potiguares
Vou cantar até o meu fim...
...
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga
Natal:11.11.09
“Á terra onde Deus me fez nascer”
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Poetisa Eulália de Castro - Meio Ambiente em foco
Crédito da foto: Poetisa da Caatinga
Paisagem de Bananeiras na Paraíba
MEIO AMBIENTE EM FOCOpostado por Eulália Castro em E. E. Cid Rosado - 1 ano atrás
*Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.* Mahatma Gandhi ...
A Triste Partida - Uma realidade que insiste em existir...
Meu Deus, meu Deus
Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
Ai, ai, ai, ai
A treze do mês
Ele fez experiênça
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
Ai, ai, ai, ai
Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois barra não tem
Ai, ai, ai, ai
Sem chuva na terra
Descamba Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo
não chove mais não"
Ai, ai, ai, ai
Apela pra Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Sinhô São José
Meu Deus, meu Deus
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé
Ai, ai, ai, ai
Agora pensando
Ele segue outra tria
Chamando a famia
Começa a dizer
Meu Deus, meu Deus
Eu vendo meu burro
Meu jegue e o cavalo
Nóis vamo a São Paulo
Viver ou morrer
Ai, ai, ai, ai
Nóis vamo a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus
Se o nosso destino
Não for tão mesquinho
Ai pro mesmo cantinho
Nós torna a voltar
Ai, ai, ai, ai
E vende seu burro
Jumento e o cavalo
Inté mesmo o galo
Venderam também
Meu Deus, meu Deus
Pois logo aparece
Feliz fazendeiro
Por pouco dinheiro
Lhe compra o que tem
Ai, ai, ai, ai
Em um caminhão
Ele joga a famia
Chegou o triste dia
Já vai viajar
Meu Deus, meu Deus
A seca terrívi
Que tudo devora
Ai,lhe bota pra fora
Da terra natal
Ai, ai, ai, ai
O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
Meu Deus, meu Deus
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar
Ai, ai, ai, ai
No dia seguinte
Já tudo enfadado
E o carro embalado
Veloz a correr
Meu Deus, meu Deus
Tão triste, coitado
Falando saudoso
Com seu filho choroso
Iscrama a dizer
Ai, ai, ai, ai
De pena e saudade
Papai sei que morro
Meu pobre cachorro
Quem dá de comer?
Meu Deus, meu Deus
Já outro pergunta
Mãezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato
Mimi vai morrer
Ai, ai, ai, ai
E a linda pequena
Tremendo de medo
"Mamãe, meus brinquedo
Meu pé de fulô?"
Meu Deus, meu Deus
Meu pé de roseira
Coitado, ele seca
E minha boneca
Também lá ficou
Ai, ai, ai, ai
E assim vão deixando
Com choro e gemido
Do berço querido
Céu lindo e azul
Meu Deus, meu Deus
O pai, pesaroso
Nos fio pensando
E o carro rodando
Na estrada do Sul
Ai, ai, ai, ai
Chegaram em São Paulo
Sem cobre quebrado
E o pobre acanhado
Percura um patrão
Meu Deus, meu Deus
Só vê cara estranha
De estranha gente
Tudo é diferente
Do caro torrão
Ai, ai, ai, ai
Trabaia dois ano,
Três ano e mais ano
E sempre nos prano
De um dia vortar
Meu Deus, meu Deus
Mas nunca ele pode
Só vive devendo
E assim vai sofrendo
É sofrer sem parar
Ai, ai, ai, ai
Se arguma notíça
Das banda do norte
Tem ele por sorte
O gosto de ouvir
Meu Deus, meu Deus
Lhe bate no peito
Saudade de móio
E as água nos óio
Começa a cair
Ai, ai, ai, ai
Do mundo afastado
Ali vive preso
Sofrendo desprezo
Devendo ao patrão
Meu Deus, meu Deus
O tempo rolando
Vai dia e vem dia
E aquela famia
Não vorta mais não
Ai, ai, ai, ai
Distante da terra
Tão seca mas boa
Exposto à garoa
A lama e o paú
Meu Deus, meu Deus
Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No Norte e no Sul
Ai, ai, ai, ai
***
Um canto que retrata minha trajetoria familiar
por causa da seca.
Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
Ai, ai, ai, ai
A treze do mês
Ele fez experiênça
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
Ai, ai, ai, ai
Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois barra não tem
Ai, ai, ai, ai
Sem chuva na terra
Descamba Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo
não chove mais não"
Ai, ai, ai, ai
Apela pra Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Sinhô São José
Meu Deus, meu Deus
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé
Ai, ai, ai, ai
Agora pensando
Ele segue outra tria
Chamando a famia
Começa a dizer
Meu Deus, meu Deus
Eu vendo meu burro
Meu jegue e o cavalo
Nóis vamo a São Paulo
Viver ou morrer
Ai, ai, ai, ai
Nóis vamo a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus
Se o nosso destino
Não for tão mesquinho
Ai pro mesmo cantinho
Nós torna a voltar
Ai, ai, ai, ai
E vende seu burro
Jumento e o cavalo
Inté mesmo o galo
Venderam também
Meu Deus, meu Deus
Pois logo aparece
Feliz fazendeiro
Por pouco dinheiro
Lhe compra o que tem
Ai, ai, ai, ai
Em um caminhão
Ele joga a famia
Chegou o triste dia
Já vai viajar
Meu Deus, meu Deus
A seca terrívi
Que tudo devora
Ai,lhe bota pra fora
Da terra natal
Ai, ai, ai, ai
O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
Meu Deus, meu Deus
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar
Ai, ai, ai, ai
No dia seguinte
Já tudo enfadado
E o carro embalado
Veloz a correr
Meu Deus, meu Deus
Tão triste, coitado
Falando saudoso
Com seu filho choroso
Iscrama a dizer
Ai, ai, ai, ai
De pena e saudade
Papai sei que morro
Meu pobre cachorro
Quem dá de comer?
Meu Deus, meu Deus
Já outro pergunta
Mãezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato
Mimi vai morrer
Ai, ai, ai, ai
E a linda pequena
Tremendo de medo
"Mamãe, meus brinquedo
Meu pé de fulô?"
Meu Deus, meu Deus
Meu pé de roseira
Coitado, ele seca
E minha boneca
Também lá ficou
Ai, ai, ai, ai
E assim vão deixando
Com choro e gemido
Do berço querido
Céu lindo e azul
Meu Deus, meu Deus
O pai, pesaroso
Nos fio pensando
E o carro rodando
Na estrada do Sul
Ai, ai, ai, ai
Chegaram em São Paulo
Sem cobre quebrado
E o pobre acanhado
Percura um patrão
Meu Deus, meu Deus
Só vê cara estranha
De estranha gente
Tudo é diferente
Do caro torrão
Ai, ai, ai, ai
Trabaia dois ano,
Três ano e mais ano
E sempre nos prano
De um dia vortar
Meu Deus, meu Deus
Mas nunca ele pode
Só vive devendo
E assim vai sofrendo
É sofrer sem parar
Ai, ai, ai, ai
Se arguma notíça
Das banda do norte
Tem ele por sorte
O gosto de ouvir
Meu Deus, meu Deus
Lhe bate no peito
Saudade de móio
E as água nos óio
Começa a cair
Ai, ai, ai, ai
Do mundo afastado
Ali vive preso
Sofrendo desprezo
Devendo ao patrão
Meu Deus, meu Deus
O tempo rolando
Vai dia e vem dia
E aquela famia
Não vorta mais não
Ai, ai, ai, ai
Distante da terra
Tão seca mas boa
Exposto à garoa
A lama e o paú
Meu Deus, meu Deus
Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No Norte e no Sul
Ai, ai, ai, ai
***
Um canto que retrata minha trajetoria familiar
por causa da seca.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Um botão da fada flor - Poetisa da Caatinga / Fátima Alves
Um botão da fada flor
Um lindo botão de flor
Encontrei no meu jardim
E vou esperar com amor
Que ele se abra pra mim
******
Nesse botão bem vistoso
Dorme uma flor encantada
Que anuncia o tempo chuvoso
E pela caatinga é amada
******
Quando vejo esse botão
Sei que a chuva vai chegar
E o povo do meu sertão
Logo irar se alegrar
******
É botão da fada – flor
Que o mandacaru gerou
Quem avisa com amor
Que o inverno já chegou
Encontrei no meu jardim
E vou esperar com amor
Que ele se abra pra mim
******
Nesse botão bem vistoso
Dorme uma flor encantada
Que anuncia o tempo chuvoso
E pela caatinga é amada
******
Quando vejo esse botão
Sei que a chuva vai chegar
E o povo do meu sertão
Logo irar se alegrar
******
É botão da fada – flor
Que o mandacaru gerou
Quem avisa com amor
Que o inverno já chegou
***
Autoria:Fátima Alves / Poetisa da Caatinga
***
Natal: 07.12.2009
Natal: 07.12.2009
Foto de minha autoria
Nosso Grande Patativa do Assaré - Poeta e Compositor cearense
CANTE LÁ QUE EU CANTO CÁ
Poeta, cantô da rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.
Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisa
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.
Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiença.
Nunca fez uma boa paioça,
Nunca trabaiou na roça,
Não pode conhece bem,
Pois nesta penosa vida,
Só quem provou da comida
Sabe o gosto que ela tem.
Pra gente cantá o sertão,
Precisa nele mora,
Te armoço de fejão
E a janta de mucunzá,
Vive pobre, sem dinhêro,
Trabaiando o dia intero,
Socado dentro do mato,
De apragata currelepe,
Pisando inriba do estrepe,
Brocando a unha-de-gato.
Você é munto ditoso,
Sabe lê, sabe escreve,
Pois vá cantando o seu gozo,
Que eu canto meu padece.
Inquanto a felicidade
Você canta na cidade,
Cá no sertão eu infrento
A fome, a dô e a misera.
Pra sê poeta divera,
Precisa tê sofrimento.
Sua rima, inda que seja
Bordada de prata e de oro,
Para a gente sertaneja
É perdido este tesôro.
Com o seu verso bem feito,
Não canta o sertão dereito
Porque você não conhece
Nossa vida aperreada.
E a dô só é bem cantada,
Cantada por quem padece.
Só canta o sertão dereito,
Com tudo quanto ele tem,
Quem sempre correu estreito,
Sem proteção de ninguém,
Coberto de precisão
Suportando a privação
Com paciença de Jó,
Puxando o cabo da inxada,
Na quebrada e na chapada,
Moiadinho de suó.
Amigo, não tenha quêxa,
Veja que eu tenho razão
Em lhe dize que não mexa
Nas coisa do meu sertão.
Pois, se não sabe o colega
De quá manêra se pega
Num ferro pra trabaiá,
Por favô, não mexa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá que eu canto cá.
Repare que a minha vida
É deferente da sua.
A sua rima pulida
Nasceu no salão da rua.
Já eu sou bem deferente,
Meu verso é como a simente
Que nasce inriba do chão;
Não tenho estudo nem arte,
A minha rima faz parte
Das obra da criação.
Mas porém, eu não invejo
O grande tesôro seu,
Os livro do seu colejo,
Onde você aprendeu.
Pra gente aqui sê poeta
E fazê rima compreta,
Não precisa professô;
Basta vê no mês de maio,
Um poema em cada gaio
E um verso em cada fulô
Seu verso é uma mistura
É um ta sarapaté,
Que quem tem pôca leitura,
Lê, mais não sabe o que é.
Tem tanta coisa incantada,
Tanta deusa, tanta fada,
Tanto mistéro e condão
E ôtros negoço impossive.
Eu canto as coisa visive
Do meu querido sertão.
Canto as fulô e os abróio
Com toda coisas daqui:
Pra toda parte que eu óio
Vejo um verso se buli.
Se as vez andando no vale
Atrás de cura meus males
Quero repará pra serra,
Assim que eu óio pra cima,
Vejo um diluve de rima
Caindo inriba da terra.
Mas tudo é rima rastêra
De fruita de jatobá,
De fôia de gamelêra
E fulô de trapiá,
De canto de passarinho
E da poêra do caminho,
Quando a ventania vem,
Pois você já tá ciente:
Nossa vida é deferente
E nosso verso também.
Repare que deferença
Iziste na vida nossa:
Inquanto eu tô na sentença,
Trabaiando em minha roça
Você lá no seu descanso,
Fuma o seu cigarro manso,
Bem perfumado e sadio;
Já eu, aqui tive a sorte
De fumá cigarro forte
Feito de paia de mio.
Você, vaidoso e facêro,
Toda vez que qué fumá,
Tira do bôrso um isquêro
Do mais bonito meta.
Eu que não posso com isso,
Puxo por meu artifiço
Arranjado por aqui,
Feito de chifre de gado,
Cheio de argodão queimado,
Boa pedra e bom fuzí.
Sua vida é divertida
E a minha é grande pena.
Só numa parte de vida
Nóis dois samo bem iguá
É no dereito sagrado,
Por Jesus abençoado
Pra consolá nosso pranto,
Conheço e não me confundo
Da coisa mio do mundo
Nóis goza do mesmo tanto.
Eu não posso lhe inveja
Nem você invejá eu
O que Deus lhe deu por lá,
Aqui Deus também me deu.
Pois minha boa muié,
Me estima com munta fé,
Me abraça, beja e qué bem
E ninguém pode negá
Que das coisa naturá
Tem ela o que a sua tem.
Aqui findo esta verdade.
Toda cheia de razão:
Fique na sua cidade
Que eu fico no meu sertão.
Já lhe mostrei um ispeio,
Já lhe dei grande conseio
Que você deve toma.
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá que eu canto cá.
(De Cante lá que eu canto Cá - Filosofia de um trovador nordestino - Ed.Vozes, Petrópolis, 1982)
Patativa do Assaré
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