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domingo, 4 de novembro de 2018

Lembranças da nossa migração... Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga


Lembranças da nossa migração...
 Era o ano de 1970, eu tinha  06 anos de idade, nesse ano ainda chegou a chover,
 Lembro que eu plantei o arroz, feijão e milho junto com meu pai. Mas a chuva parou antes da plantação frutificar, e aí as famílias ficaram sem ter o que comer. Pois era a seca de 1970 que marcava a história do povo nordestino. Sem ter o que fazer, meu pai resolveu vender nosso sítio e com o dinheiro migramos para o Maranhão, porque mesmo lá sendo nordeste, na maior parte do estado sempre chove bem.
E aí, eu me lembro de ver meu pai vendendo as coisas da nossa casa, como: cadeiras , mesas cama e tudo que tínhamos. E nós todos ficamos triste  pois íamos deixar nossa família e amigos
Para se  jogar nessa aventura... Papai também vendeu as galinhas, porcos cabras, enfim, todos os animais. E depois de tudo vendido e doado, faltava o cachorro chamado feroz, ele era meu amigo, brincávamos muito. Ele era um animal muito sabido. E ninguém quis ficar com ele, e meu pai disse que não podíamos levá-lo conosco. Então eu chorei muito...           O cachorro ia ficar sozinho, sem lar e sem ter o que comer. Isso ainda me dói até hoje...
 Estando tudo preparado, chegou o dia da partida, várias pessoas estavam lá em casa para se despedirem da gente. Na hora marcada chegou um caminhão  de um homem chamado Zé Rosa, para nos levar até o Maranhão. Foi muito triste a nossa partida, todos choravam... Pois havia a possibilidade de nunca mais retornarmos. E assim, em meio a muita tristeza partimos ... E o cachorro Feroz, ficou abandonado, com certeza morreu de fome. E eu criancinha nada podia fazer, além de chorar e meu pai me acalentar. Depois de três dias de viagem chegamos no Maranhão, num lugar chamado Vitorino Freire, Lá não tinha o fantasma da seca, era tudo ver e belo. Meu pai, logo comprou um pequeno sítio e ali fomos morar.
 No nosso sítio tinha vários tipos de frutas e isso para nós era um céu... Mas eu não conseguia esquecer minha família,  nem o cachorro. Nesse lugar passamos 04 anos  e eu vivi plenamente esse tempo da minha infância. O sítio era repleto de laranjeiras e tangerinas, e eu brincava de casinha sobre os tapetes  brancos e cheirosos no tempo da florada. Lá nossa casa era um casebre de taipa, coberto de palha, assim eram todas as casa dessa comunidade, inclusive a escola e a igreja. Eu tinha muitas amigas, mas não conseguia esquecer da minha família deixada aqui no RN. Foi nesse tempo que eu comecei a desenvolver o dom da poesia, pois lembro-me que todos os dias  a gente ia no riacho lavar a roupa do bebê da minha mãe, e lá eu conversava com Deus de forma poética e também cantava cantigas que eu mesma inventava na hora... Eu já era uma poetisa e não sabia. De tanto que pedi a Deus ele atendeu as minhas preces... Meu pai  vendeu o sítio, e retornamos rumo a nossa terra, mas antes de chegarmos no RN, meu pai decidiu que ficaríamos na Paraíba, onde o mesmo tinha uma irmã. E assim fez! Ficamos em Uiraúna na Paraíba, um lugar seco e de muita pobreza. Nossa vida ali foi um inferno na terra, nos faltou tudo, até a água, pois lá havia um chafariz onde a água era comprada. Papai além de agricultor, era mecânico, arrumava máquinas, fogões, rádios e outras coisas, e nós só não morremos de fome porque,  meu pai saia sem destino pelas comunidades procurando o que fazer e quando achava a gente, digo, eu agradecia a Deus ...
 Mas às vezes ele não encontrava trabalho e voltava  sem trazer nada, nesses momentos eu falava com Deus  e lhe questionava sobre a situação que estávamos passando e Ele renovava em mim a esperança... E Nesse horrível lugar passamos quase dois anos, nesse período minha mãe teve mais um filho e nossa situação ficou ainda mais complicada, pois não podíamos comprar o leite para o  bebê. Porém nessa época Deus nos tirou dali e nos trouxe para O RN, para a cidade de Encanto, onde fixamos morada e a família aos poucos foi melhorando de vida, mas mesmo no Encanto, nós passamos fome e privações de tudo, toda vez que não tinha inverno. Nessa cidade minha mãe ainda teve mais 05 filhos, tendo morrido dois e pela graça de Deus se criado três. De encanto Eu só saí depois de ter passado em um concurso para professora e ter me formado em Pedagogia.Depois de ter passado por tudo isso, e tendo sido exitosa, eu me tornei muito sensível com a miséria do povo e há anos vivo escrevendo e publicando recortes dessa história...
***
 Fátima Alves – Poetisa da Caatinga
 Natal, 04.11.2018
 Foto de minha autoria

sábado, 27 de outubro de 2018

Trabalho acadêmico Sobre o Semiárido - Poetisa da Caatinga




Foto da Autoria de Emanoel Milhomens
 IFRN: INSTITUTO FEDERAL DO RN - EAD
 Disciplina:  Geografia do semiárido e desertificação
Professor: João Correia
Tutor: Matheus Avelino
Polo Natal -  Cursista: Maria de Fátima Alves de Carvalho
Atividade 01
Partindo do termo  “Sertão ou Sertões”: pag. 13- 22, do livro  Litoral e Sertão, Natureza e Sociedade no Nordeste Brasileiro, fazer uma análise descritiva sobre os principais aspectos abordados no texto e relacioná-los com a realidade do Semiárido Potiguar.

           A temática em estudo, apesar de ser fácil compreendê-la, não é fácil explicá-la, pois ao tratar-se, de uma abordagem minuciosa  sobre a Região  Nordestina, em todos os seus aspectos,   e mostra que  no contexto  das 05 (cinco) Regiões geográficas Brasileiras,   a região Nordeste ocupa o 3º lugar em extensão territorial no país, sendo menor que a Região Norte e a Centro Oeste. E bem maior que a Região Sudeste e a  Região Sul. 
           O autor  ressalta que temos dois Nordestes, um que foi demarcado pelo o  IBGE, pela  necessidade da divisão regional do Brasil. E o  outro  demarcado pela SUDENE , em 1958 para identificar  as áreas onde este órgão  deveria centrar seus  trabalhos para   implantar medidas  de combate  nas áreas atingidas pelas grandes secas de 1952 e 1958. Nessa época foi preciso delimitar o  chamado polígono das secas, que eram constituídos pelas áreas castigadas por este fenômeno natural. Nesse polígono, entrou também  a parte setentrional  do  Estado de  Minas Gerais, tendo a mesma  grande extensão de seu território, incluído junto ao nordeste, e sendo Minas Gerais um dos Estados  de maior relevância  econômica  no país, o mesmo tem muita força no planejamento das políticas para o nordeste, porque essas políticas também são voltadas para lá.  A região atingida pelas secas, se estende desde o norte do Ceará , até o sul de Minas gerais. E em cada um a dessas áreas, encontramos características próprias, quanto ao clima, relevo  flora fauna, cultura, economia, etc.
            Mediante a toda essa diversidade que diferencia cada ponto do nordeste, podemos atribuir essa mesma concepção de singularidade ao nosso semiárido Potiguar, o qual denominamos  como O bioma Caatinga, mas sabemos  que na região do semiárido potiguar, há diversos tipos de caatingas, e estas fazem parte do polígono das secas.  Mas cada uma delas tem suas particularidades e também semelhanças.
  “Não se pode admitir certa uniformidade para o semiárido nordestino, uma vez que as condições metereológicas, e morfológicas provocam modificações nas suas diversas áreas, havendo trechos em que o clima pode ser  considerado como semiúmido, trechos onde pode ser considerados como semiárido e até árido( NIMER, 1979).
 Como  vemos, para aprendermos a conviver com o  nosso semiárido, e não permitir que nossas ações o transforme em desertos precisamos conhecer os aspectos naturais década lugar e aprendermos a usar  apenas o que precisamos , e de forma consciente e equilibrada, respeitando  a fragilidade desse ou desses biomas perante nossas ações de  degradação, e lembrando sempre, respeitando as leis de cada ecossistema.
Referências Bibliográficas:
- ANDRADE, Manuel Correia. Paisagens e problemas do Brasil. São Paulo: Editora  Brasiliense,    1975.
 - NIMER, Edmon. Climatologia do Brasil. Rio de Janeiro: SUPREN – IBGE, 1979.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Aprender a conviver com as peculiaridades da Geografia do Semiárido - Fátima Alves




Foto  de  Fátima Alves/ Poetisa da Caatinga


Nós do semiárido pouco sabemos sobre a importância de respeitarmos as peculiaridades da Geografia da nossa Terra. Estou falando do ponto de vista científico. Pois na visão popular sabemos muito, e temos também muita coisa para ensinar aos pesquisadores. Porém, essa nossa civilização "MODERNA", inventa práticas enganosas que levam nosso povo a derrubar grandes extensões de mata, simplesmente para fazer carvão e vender quase de graça, para churrascarias, pizarias, restaurantes, e principalmente para as fábricas de cerâmicas. também se derruba a mata para vender estacas que servirão para fazer cercas com arame farpado. tudo isso parece pouco, mas é justamente essas práticas que vêm desertificando vários pontos do semiárido.
E existem outras ao meu ver, ainda bem mais danosas, nas quais a mata é derrubada em grandes extensões, para nascer pasto( plantinhas rasteiras) ou plantio de capim, destinado a criação de gado leiteiro e principalmente, de bois e vacas para abates ( cortes). Uma triste realidade, que não me permite mais há vários anos, comer carne vermelha, uma vez que percebi essa crueldade, na qual em nome do lucro, somos incentivados a tê-la em nossa mesa todos os dias da semana. Porém, quase ninguém percebe que o simples ato de comer carne todo dia, além de ser prejudicial para a saúde, vai exterminando a mata, acabando da terra, seus nutrientes, tornando-a inférteis e nos trazendo no futuro, vários desertos como prêmio pela nossa "RACIONALIDADE IGNORANTE".Com tantos saberes, se omitem ou não querem ver a finitude dos recursos naturais do lugar onde vivemos.
Eu vivi, 20 anos no campo, numa linda Serra, a comunidade era familiar e tinha práticas comunitárias nas quais todo mundo se ajudava. A mata era derrubada e queimada, para se fazer o roçado, mas em porções suficientes para a nossa sobrevivência. E considero, que nossa vida tinha muita qualidade, bastava apenas ter chuva suficiente para assegurar a colheita. Se não tivesse, passaríamos até muita fome, mais isso, é outra questão, trata-se da falta de políticas de Estado, voltadas para a prevenção das secas, uma vez que estas, podem ser processos naturais e fazem parte do Bioma Caatinga. Esse manejo da terra, que os pequenos agricultores ainda usam, permite que depois da colheita , a roça seja plantada mais uma vez, depois vira capoeira, (um termo do meu lugar) e vai descansar por vários anos. Voltando novamente a ser mata. É uma prática popular dos pequenos camponeses, que de certa forma respeita a natureza, retirando dela só o necessário.
E atualmente, as terras da nossa antiga comunidade, hoje é mata fechada com fauna e flora preservada, porque seu povo a usou de forma equilibrada e sem ganância . E como eramos uma comunidade familiar e pobre, veio uma temporada de seguidas secas e aos poucos, esse nosso povo foi migrando para outros lugares, até enfim, sair a ultima família. E quem saia, vendia suas terras, Meu pai foi o penúltimo a sair dali. Em seguida sua irmã. E depois, extinguiu-se A Comunidade Batalha, que vivia num lugar chamado Serra das Almas, Localizada no município de São Miguel/RN. E foi lá onde nasci e prendi a conviver com muitas leis da natureza, sem precisar de ir aprender na academia... Lá a gente aprendia imitando e seguindo as práticas dos mais velhos...
***
Fátima Alves / poetisa da Caatinga
 Natal,  03 de março de 2012

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Ser Professora - Voz poética de Poetisa da Caatinga







































Ser professora...
 Ser professora não foi minha primeira escolha
 Eu sonhava em ser médica
 Só sonhava... pois não havia  condições
 Nossa família era muito pobre
 E por  essa razão
 Logo na adolescência
 Decidi deixar meu sonho
 E ser  professora
 Porque essa profissão eu podia exercer
Pois na minha cidade tinha  o curso de Magistério
 E assim fiz!
 Coloquei amor em meu coração
 E aos vinte anos
 Passei  em um concurso para professora
 Comecei  exercer  o cargo
Logo após  o resultado do concurso
 Pois passei  em 6º lugar
 Nas vagas da minha região
 Esse resultado me deixou muito feliz
 Porque   me tirou da miséria
E  minha família também...
 Exerci essa profissão na rede estadual
 Durante 33 anos
E em todo esse período
 Passei por vários governos
Que prometiam melhoras para a educação
 Mas isto nunca aconteceu
 O que testemunhei foi
 A degradação do ensino público
 Alunos chegando no ensino médio
 Sem saber ler e escrever
 Aí querem culpar os (as) professores(as)
 Mas  somos apenas vitimas
De um sistema capitalista
 Que nem liga pra educação
 E não há um projeto sério e continuado
 Sempre que muda o governo
 Acabam-se a proposta do que estava
 E mesmo com proposta só haverá mudança
 Se houver apoio para as famílias
 Porque estas também se degradaram
 E o que vemos nas escolas é professores  adoecendo
 Por somatizarem em seu corpo
 As consequências   das mazelas
 Que envolvem família e educação...
***
Eu não gosto de falar sobre educação, mas hoje resolvi pincelar algumas frases...
 Fátima Alves – Poetisa da Caatinga
 Natal,15.10.2018


domingo, 7 de outubro de 2018

Aspectos naturais do semiárido -Artigo - Fátima Alves - Poetisa da Caatinga


Foto de  autoria de Fátima Alves / Poetisa da Caatinga
Aspectos Naturais do semiárido
          Este bioma que predomina em todo o nordeste brasileiro e que também aparece no Estado de Minas Gerais, apresenta de forma geral, as características que mostramos a seguir:
- Geologia:
             Através da análise geológica das paisagens do semiárido, o solo dessas terras das caatingas, são considerados como solo litólicos. E apresentam grandes diferenças de um lugar para outro, mesmo sendo também caatinga. Há lugares altos e pelados sem cobertura vegetal, constituídos de colunas desnudas, apresentando as vezes fragmentos dispersos de quartzo e também a presença de uma rocha argilosa( felitos) que parece um chão de tijolo no verdadeiro solo.

             No semiárido, também encontramos rochas que formam paisagens de escombros e cavernas. Há ainda paisagens formadas por rochas duras na imensidão das colinas. E também podemos encontrar quartezitos e massas homogênias de granitos, xelitas (RN) e outras. Há ainda morrotes, as vezes em agrupamentos, como no município de Quixadá, no Ceará. No geral, a Região do semiárido Brasileiro, encontra-se com cerca de 70% de sua superfície formada por um embasamento que na linguagem geológica, é chamado de escudo cristalino. Dessa forma nessa área tão extensa a rocha que dar origem aos solos está pouco abaixo da superfície, muitas vezes aflorando em vários pontos. Esse tipo de solo é raso, por isso em anos de abundância pluviométrica, provoca escoamentos superficiais intensos, causadores de enchentes pelo fato da água não poder ficar retida no solo.

- Geomorfologia:
         É também denominada de aspectos de cobertura. No contexto da região semiárida este aspecto é configurado como regiões de especificidades climáticas que contribuíram e estarão sempre nesse processo de mudança para a modelagem de relevos peculiares. Sendo assim, a geomorfologia, são variações do relevo que foram se formando após mudanças climáticas radicais no fim da era terciária e início do período quartenário. Nossa geomorfologia, por ter grandes dimensões tropicais desde Roraima, e regiões fronteiriças, chegando até o sudeste do Brasil, e continua passando pelos morrotes dos sertões secos e os pontões rochosos da Serra Azul em Minas gerais.

-Hidrografia:
          A hidrografia regional do nordeste seco é totalmente dependente de seu clima sazonal. Nas caatingas do semiárido, predominam rios periódicos( que correm por 03 a 05 meses, apenas no período chuvoso), dos quais suas águas são represadas e açudes e barragens para abastecer cidades e irrigar plantações. São poucos os rios perenes, e a principal bacia hidrográfica é a bacia do Rio São Francisco, que nasce no Estado de Minas Gerais e no seu percurso até o mar, atravessa os estados da Bahia,, Pernambuco, Lagos e Sergipe, nessa longa caminhada, vai recebendo os afluentes periódicos que nele encontram o lugar para despejarem suas águas. E no seu caminho de águas perenes cruza grande parte dos sertões das caatingas. Deixando fartura e vidas bem alimentadas.

-Clima:
          Há variedades climáticas, embora haja predominância de climas muito quentes, e chuvas por curto período do ano, sendo as mesmas periódicas e irregulares. Em todas as regiões semiáridas do Brasil, os seus habitantes são adaptados para viver de acordo com suas irregularidades entre o seco e o verde, sendo que predomina o tempo das paisagens secas, devido a rápida evaporação das águas pelo calor do sol intenso, bem como o longo período com ausência de chuvas. Nos últimos anos os estudiosos da temática Caatingas, já percebeu que seus domínios, acontecem de acordo com sua localização, altitude, proximidades litorâneas, abrejados, cerrados, agreste etc. E cada uma delas apresenta irregularidades climáticas próprias. Com temperaturas que oscilam entre 25°c e 29°c em média anual, havendo temperaturas menos quente e amenas nas caatingas serranas.

-Cobertura Pedológicas ( solos):
           As caatingas são geossistemas que apresentam terrenos cristalinos, as vezes praticamente impermeáveis(50%) e terrenos sedimentares ( 50%), com boa reserva de águas subterrâneas. Estes solos, apesar de algumas exceções são pouco desenvolvidos, mineralmente ricos, pedregosos, pouco espessos e com fraca capacidade de retenção das águas recebidas no período chuvoso.

-Vegetação:
          A vegetação das caatingas apresentam formações xerófilas e cauducifólias. E são bastante diferentes por razões climáticas, edáficas, topográficas e antrópicas. As caatingas são ricas em biodiversidades vegetais. As mesmas compostas por grandes variedades de árvores de pequeno e médio porte, com também, arbustos, árvores espinhentas, que crescem sobre solo raso e rochoso. Encontramos ainda, uma enorme riqueza em variedades de cactos, bromélias e árvores nobres como aroeira, cumaru, Ipê, Angico caroba( em processo de extinção), juazeiros, catingueira, jucá,macambira, pereiro, cacheiros, mandacaru (árvore símbolo da Caatinga), xique-xique, palmatória e muitas outras.

-Conclusão:
        O domínio das Caatingas Brasileiras, constitui um dos três espaços da América do Sul. Essa área semiárida brasileira corresponde a 70% da região nordeste e uma grande área do Estado de Minas Gerais. É aqui no Brasil que encontramos a grande região seca, como também, a mais populosa com relação aos aspectos fisiográficos, ecológico e social, constituída pelos Sertões do Nordeste Brasileiro. Quando analisamos o contexto da dimensão territorial do nosso país, percebemos um contraste expressivo, pois o território brasileiro, apresenta 92% do seu espaço total com predominância de climas úmidos e sub-úmidos, intertropicais e subtropicais, indo esta área da Amazônia ao Rio Grande do Sul.
           As peculiaridades dos Sertões do Nordeste brasileiro, encontram-se num conjunto de atributos: climáticos, hidrológicos e ecológicos. Este espaço se apresenta numa área geográfica de 72 mil quilômetros quadrados. E justo neste espaço seco e quente, é que encontramos a área mais povoada do Brasil, onde vivem aproximadamente 23 milhões de brasileiros. Inclusive, ela é berço de três metrópoles ( Salvador, Recife e Fortaleza) . Nossas Caatingas são as mais povoadas do continente americano e do mundo.
- Referências Bibliográficas:
- AB.Saber, Aziz Nacib – Os domínios da Natureza no Brasil - Potencialidades Paisagisticas ( pg. 83 a 100) – Ateliê Editorial – São Paulo - 2003

 Texto  de minha autoria, feito para uma avaliação do Curso Educação Ambiental e Geografia do Semiárido -IFRN.
Fotos de minha autoria

sábado, 6 de outubro de 2018

Voz poética de Flávio Leandro - Chuva de Honestidade




Chuva de honestidade

Flávio leandro e amigos

Quando o ronco feroz do carro pipa, cobre a força do aboio do vaqueiro
Quando o gado berrando no terreiro, se despede da vida do peão
Quando verde eu procuro pelo chão, não encontro mais nem mandacaru
Dá tristeza ter que viver no sul, pra morrer de saudades do sertão

Eu sei que a chuva é pouca e que o chão é quente
Mas, tem mão boba enganando a gente, secando o verde da irrigação
Não! Eu não quero enchentes de caridade, só quero chuva de honestidade
Molhando as terras do meu sertão

Eu pensei que tivesse resolvida, essa forma de vida tão medonha
Mas, ainda me matam de vergonha, os currais, coronéis e suas cercas
Eu pensei nunca mais sofrer da seca, no nordeste do século vinte e um
Onde até o voo troncho de um anum, fez progressos e teve evolução

Israel é mais seco que o nordeste, no entanto se investe de fartura
Dando força total a agricultura, faz brotar folha verde no deserto
Dá pra ver que o desmando aqui é certo, sobra voto, mas, falta competência
Pra tirar das cacimbas da ciência, água doce que regue a plantação

sábado, 15 de setembro de 2018

O tempo vida... Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga


                 Foto de autoria de Emanoel Milhomens
 O tempo vida...

Vida vivida...
Vida sentida...
Vida sonhada...
Em todas estar o tempo,
E todas passam no tempo.

Vida vivida...
Tempo passado, 
Ficou distante...
Hoje vivo em memória,
Em cores, cheiros, falas, 
Alegrias e dores.
Vive na alma,

Lembrado ou esquecido.
E de alguma forma,
O tempo não passa...
Somos nós que por ele passamos.

Vida sentida...
Tempo presente.
Agora! Pulsa em nós,
É real. Nela estamos.
Muda sempre...
As vezes, é dura, fria, escura...
Também amarga, sem cor.
Tempo monótono, demorado,
Mas instável...
De repente...
 Nos surpreende,
Torna-se macia, aconchegante, clara,
Fica doce e bem colorida...
Tempo feliz! Muito veloz.

Vida sonhada...
Mistura de tempos,
Presente, passado e futuro.
É ideal, mas não é real.
O tempo sonhado é uma ponte
Que nós mesmos construímos,
Passagem do real  ao desejado.
Transitamos nela a todo momento,
Lá não existem fronteiras,
Nem passado, nem futuro.
Qualquer tempo...
Pode ser presente,
Se vivido em fantasia,
Só na mente...
E por isso, não se gasta.
Volta sempre que buscamos,
Independente da estação...

O tempo... É história. Evolução...
Nós passamos no tempo.
A vida passa, se gasta,
Termina, recomeça...
Veloz ou lenta...
Depende de cada história.
                                   Fátima Alves – Poetisa da Caatinga
Nata/2008