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quinta-feira, 17 de março de 2011

Voz poética de Fátima Alves (Poetisa da Caatinga - Cel. João Pessoa /São Miguel/RN

                        Nós anormais...?


                             (Texto escrito em 2009)

Que rótulo mais perverso!!!
Como podemos ser anormais
Se a vida nos fez seres únicos?
O que é ser anormal?
Se não somos refugo
De uma produção em série
Se cada um nasce de uma  fôrma única
E esta fôrma não pode
Ser mais utilizada?
Nós! Anormais para vocês...
Não sentimos esta tal normalidade
Ou anormalidade que vocês
Acreditam estarmos enquadrados
E sabe por quê?
Porque mesmo sentindo
A crueldade do rótulo
A vida vai nos trazendo conhecimentos
E clara percepção
Das nossas diferenças
E não desejamos
O  lugar dessa normalidade
Porque essa falsa normalidade
Que vocês querem colocar
Em padrão universal
Pode nos engessar...
E sufocar ou aprisionar a alma
Por isso, parem de nos agredir
E respeitem a nossa anormalidade
Se é, que esta existe
Também não queiram que nosso pensar
Seja pelos vossos neurônios
Porque cada cérebro
Abriga o coração sentimental de um sujeito
Que vai construindo
Seus próprios caminhos
E produzindo seus conhecimentos
Articulado com as diferenças
Encontradas em vocês
E no dinamismo da vida
Portanto,tentem ver as pessoas
Como seres singulares
E por favor!!!
Respeite as nossas diferenças...
Porque nem percebemos
A sua exaltada normalidade
E simplesmente
Porque pra nós ditos " anormais"
Ela é irreal
No universo dos corações
Das almas
Agora, prestem atenção!!!
Se vocês fazem parte dos grupos normais
Porque se incomodar com os anormais?
Vivam sua normalidade....
E evitem nos agredir com palavras doloridas
Porque nós já as lemos em vossos olhares
E isso  nos machuca...
Porque preconceito é violência
E principalmente psicológica...
Pois nenhuma pessoa jamais será igual
E querer igualar alguém ao nosso jeito de ser
É ainda não saber amar...

Fátima Alves  - Poetisa da Caatinga / 12.03.09

Texto relido e publicado mais uma vez  em 17.03.2011
Dedicado às   pessoas que dizem gostar apenas de quem é NORMAL" e ainda acrescentam, pra eu amar  tem que ser bem normalzinho... Quem eu amo... Amo! Que eu desamo...desamo para sempre...
Me doeu muito, escutar essas palavras  em um seminário de poetas. E a dor foi não grande que abandonei o congresso e saí de lá as pressas, pois não aceito essas palavras nem mesmo na poesia, imagina em um discurso.
          Sou Educadora....E trabalho justamente com as pessoas consideradas "Anormais" pela sociedade. São crianças, adolescentes e até adultos... Todos com potenciais próprios de inteligências diversas, e muitas dentre elas com talentos artisticos. Amo esse trabalho!  E não aceito preconceito nem mesmo na brincadeira, como suponho que tenha sido, o caso que presenciei....Olha! O ventre que me gerou era de uma mãe deficiente mental, no entanto, cantava e contava belas histórias para mim... Essa mãe, me fez artista, sendo socialmente "Anormal"... Por tudo isso, quebro qualquer preconceito referente as consideradas anormalidades humanas... Abraço a causa e inclusive me incluo no grupo delas, pois tenho disturbio do sono, e ainda  vez por outra me vem a depressão. Mas isso, não é ser Anormal, e sim, diferente dos padrões referenciais moldados pela sociedade, no intuíto  de impor de forma alienante, o conceito de normalidade...?

Fatimam Alves/Poetisa da Caatinga
Natal/2011