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Caatinga/ mandacaru em flores

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sexta-feira, 11 de julho de 2014

O meu país - Canta Zé Ramalho

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, fico calado, faz de conta que sou mudo
Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacram - se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país
Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo incomum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é com certeza o meu país
Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país
Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
Um país onde escola não ensina
E hospital não dispõe de raio - x
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, fico calado, faz de conta que sou mudo
Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo
Sem saber emergir da noite escura
Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o brasil em mil brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é com certeza o meu país
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, fico calado, faz de conta que sou mudo
                         ***
Composição: Orlando Tejo, Gilvan Chaves e Livardo Alves ·

Flor - Voz poética de Emanoel Carvalho

FLOR

Lá do meio do sertão eu resgatei uma flor
Que era tímida, mau tratada em seus olhos vi a dor
Mas logo me apaixonei lhe dei carinho e amor
Não é uma flor cultivada dessas que brotam do chão
É uma flor de quatro patas com a mais bela perfeição
Mas era torturada sofria de rejeição
É uma flor delicada, uma criança inocente
Pelos seus gestos se via que era muito carente
Então para seu batismo me veio a ´flor` na mente

EMANOEL CARVALHO
24/06/2012

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Florescer na seca - Voz poética de Poetisa da Caatinga















Florescer na seca

Pleno verão, sol fumegante
Terra deserta, areia e pedras
Solo rachado, tudo queimado
Neste lugar brota uma flor
Flor de uma planta própria dali
Cujas raízes sabem lutar
E guardam a água que lhe banhar

No florescer desta tal planta
Cuja beleza é de encantar
Ela anuncia que a chuva já vem
Quem mora lá vai se preparar
E paciente esperar o inverno
Pra nesse mundo a vida alegrar

Em pouco tempo muda o céu
Trazendo sinais a nos avisar
Mas só sabe ler esses sinais
Aquele(a) que a alma vive por lá
E além de viver... sementes plantou
Pra muito esperar ... num belo dia
A chegada da nobre flor!

Chegando a chuva neste lugar
A flor se envaidece por ali morar
E ver o seu mundo de verde cobrir-se
Um verde que traz a vida a pulsar 
E vozes felizes em coro a cantar
Um canto de amor...
Pra seu Deus exaltar!
             ***
Poetisa da Caatinga
Natal, 06.12.08
Texto do meu livro "Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga"