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segunda-feira, 9 de maio de 2011

MÃE!!! A Voz Poética da sua filha Fátima Alves( Poetisa da Caatinga)


       MÃE!!!

        Hoje, neste momento, estou sentindo saudades de você. A tua presença, nessa eterna ausência...de repente tocou meu coração, e ele estar todo encolhidinho, sentindo o frio eterno de não poder ter mais o calor...O Calor do Seu Coração!

        Olha, Mãe! São quase 18 horas, estou num ônibus a caminho do meu trabalho noturno, mas de repente chegastes em minha mente em imagem e energia...Estou te sentindo Mãe!!! Estais aqui bem pertinho de mim. Sei que isto é uma ilusão, uma necessidade minha...Porém, é verdade o que estou a sentir... O ônibus estar superlotado, estou sentada ao lado de uma moça desconhecida, a qual, penso que estar observando minha escrita rápida e garranchuda. Ela deve tá estranhando o meu jeito. Sei que estar! Mas essas coisas ninguém pode de fato explicar, pois ao nosso Deus pertencem...E eu nem sequer acredito na volta dos mortos... mas te sinto bem real!

        Mãe da minha alma! Estou lembrando de um passado bem remoto, daquela época em que você só tinha eu e minha irmã Neide. As imagens que vejo não são nítidas, são bem embaçadas, e não vejo o seu rosto jovem, lhe vejo como partistes, apenas o teu corpo consigo vê-lo como era, bem magro e bem lindo... Nesse tempo que te vejo embaçada, você me parecia ser um pouco feliz, pois feliz... feliz! Mãezinha! Pouco você foi. Porque Mamãe, toda a nossa família sofria muito...

         Mas nesses momentos felizes, que estou vendo passar na minha mente, te vejo cuidando de nós duas, eu e Neide. Estou vivenciando em memória, as tardes do sítio, lá no Maranhão. Estamos num lugar lindo, com flores, com pássaros, com pomar cheio de frutos... Estamos perto do cacimbão do nosso sítio...Você, já nos banhou com um sabão de coco babaçu, delicioso, nos enxugou e agora juntamente com Lourdes, sua enteada, minha irmã paterna, penteia nossos lindos e cumpridos cabelos, enquanto canta ou conta suas encantadoras histórias de trancoso. Depois de penteados os nossos cabelos, chega a vez de fazer nossas tranças, e isso eu simplesmente adorava...

        Ah, Mamãe! Até hoje, eu me rendo as mãos das cabeleireiras, só porque ainda sinto as delícias do toque das suas mãos, que tanto deixou memória na minha pele, especialmente na cabeça, com também, catando piolhos, tarefa diária, um cuidado bem exagerado, e seus adoráveis cafunés, que eu sempre lhe pedia pra repetir infinitas vezes...

          Mãe! Sei que não fui sua filha ideal... deveria ter cuidado melhor de você, até porque logo descobri que tinhas uma doença mental, que lhe deixava depressiva e com mudanças repentinas de humor... Me desculpa ,Mãe! Mas devido seus problemas de saúde, Eras muito áspera conosco, mas de repente nesse ônibus, DEUS me fez lembrar de um tempo apagado...

          E pude nesse momento de magia e saudade.... resgatar esse lindo cenário que tantas vezes fez parte da minha e nossa singela infância...

        Obrigada Mamãe!!! E se uma filha poder ter realmente contato energético com sua mãe... creio que esse foi mais um, dos muitos que já tive contigo, desde que você se foi...
         Fátima Alves (Poetisa da Caatinga)
         Nata/03.05.2011
        Texto dedicado a minha mãe, "Maria Jacira"( In-memorian)
Obs: Esse texto foi sentido e rabiscado num ônibus, num dia de março deste corrente ano.

Minha roseira adormeceu... Voz poética de Fátima Alves( Poetisa da Caatinga)

Minha roseira, a primeira que vi Aquela de onde desabrochei
Em pequenina flor!
E que poupava a água de seu corpo
Abrindo mão da sua formosura
Só para ver suas flores e frutos
Sobreviverem até o inverno chegar
Adormeceu em espírito...
E seu corpo pra sempre pereceu


Mas igual as plantas da caatinga
Um dia renascerá... ou ressuscitará...
Nas sementes que seus frutos guardaram
Esperando que o vento ou os pássaros
Venham pegá-las
Para semearem pelo mundo...
E em cada semente que for plantada
Minha roseira nascerá de novo
Mas dessa vez!


Em lugares verdejantes
Onde não precisará
Se desfazer das suas folhas
Para economizar a água
Em benefício de suas flores e frutos
Seu jardim não será mais árido
E ela será tão frondosa
Que os pássaros migratórios
A escolherão
Para à sua sombra ficarem
E contemplarem sua beleza
Até voltarem à sua terra
Pois nela haverão flores e frutos em abundância
E Deus estará a proteger
Eternamente a alma de cada semente
Da minha frágil e amada Mãe.


Fátima Alves /Poetisa da Caatinga- 09.09.09


Este texto é um“Presente para minha mãe Maria Jacira”(in-memorian)