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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Menino triste... Voz poética de poetisa da Caatinga

















Menino triste...

Menino triste li em seus olhos
Que tua vida era de dor
Muitas dores!
Dor por não ter o alimento
Tanto do corpo como da alma
Pois lhe faltavam gotas de amor

Menino triste quando te vi
Senti em mim a sua dor
Meu coração por ti chorou
Essa dor física tão social
Que deixa marcas na nossa alma
E é gerada por falta de amor

Menino triste sou muito fraca
Na sua frente quase chorei
Foi tão difícil me controlar
Me sustentei só no espírito
Pra com palavras te alimentar
E seu sorriso poder colher

Menino triste quanta inocência
Quando do circo pra mim falavas
E seu olhar feliz ficava
Naquela hora eu viajei
Junto contigo naquele circo
Pra no trapézio poder voar
E te aplaudi no picadeiro
Quando você se apresentasse

Menino triste com eu queria
Ser tua mãe e lhe salvar
Te adotar perante a lei
Te ver crescer com meu amor
Filho gerado no coração
Mas você tem sua família
E é lá que deves ser amado

Ah, menino triste!
Assim como você
São tantas as crianças
Que passam por minha vida
E tenho que consolar
Com o poder só da palavra

Mas você menino triste...
Ainda não pude esquecer
Seu olhar me faz chorar
Sua dor em mim ficou
O que faço menino triste?
Pois não posso te adotar...
Mas te dou esse poema!

Fátima Alves – Poetisa da Caatinga
Natal, 22.05.2010
Texto dedicado a um menino pobre de lar desestruturado.
O qual atendi como professora psicopedagoga.






quinta-feira, 25 de junho de 2015

Dia e noite! Sol e Lua! - Voz poética de Poetisa da Caatinga










Dia e Noite! Sol e Lua!

Vem chegando o véu da noite
E o sol já vai embora
Me abraça uma saudade
Deste rei que tanto adoro

Mas da noite também gosto
Sua magia me enfeitiça
E com a luz de cada estrela
Eu costumo conversar

Toda noite olho o céu
Com segredos pra contar
A rainha das estrelas
Lua que me faz sonhar

Tanto quanto amo o Sol
A lua por mim é amada
E meu coração se inspira
Quando um dos dois no céu está!

Dia e noite!
Sol e Lua!
Pra vocês vivo escrevendo
Sentimentos que me fazem
Conseguir mostrar ao mundo
O valor de se viver...
                   ***
Fátima Alves: Poetisa da Caatinga
Natal,15.10.09
Texto do meu livro Palavras Singelas e Encantamentos...
 Foto de minha autoria

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Dormi antes da lua chegar...Voz poética de Poetisa da Caatinga

















Dormi antes da Lua chegar...

Quando a lua veio olhar-me
Um sono calmo me abraçava
E uma mansa brisa me beijava
Me cobrindo com cheiros da terra
Era uma noite de lua cheia
Noite muito especial
Pois um manto de claridade
Lá do céu a lua nos jogava
E na terra do terreiro
A gente feliz cantava e brincava
Com os sonhos já sonhados
Mas naquela noite...
Só lembro que muito esperei a lua
Porém, o sono chegou antes dela
Me encantou e me levou
Para o mundo das estrelas
O mesmo mundo da lua
E em vez de admirá-la
No seu castelo eu dormi
E no meu sono eu sonhei
Que meu mundo era o dela
E minha mãe era ela...

Fátima Alves-Poetisa da Caatinga
Natal, 30.01.2010
Texto do meu livro “Palavras Singelas e Encantamentos...




Voz poética de Elba Ramalho



Nordeste Independente

Já que existe no sul esse conceito
Que o nordeste é ruim, seco e ingrato
Já que existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito
Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão lucrar imensamente
Começando uma vida diferente
De que a gente até hoje tem vivido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Dividido a partir de Salvador
O nordeste seria outro país
Vigoroso, leal, rico e feliz
Sem dever a ninguém no exterior
Jangadeiro seria o senador
O cassaco de roça era o suplente
Cantador de viola o presidente
E o vaqueiro era o líder do partido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Em Recife o distrito industrial
O idioma ia ser nordestinense
A bandeira de renda cearense
"Asa Branca" era o hino nacional
O folheto era o símbolo oficial
A moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro seria o inconfidente
Lampião, o herói inesquecido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

O Brasil ia ter de importar
Do nordeste algodão, cana, caju
Carnaúba, laranja, babaçu
Abacaxi e o sal de cozinhar
O arroz, o agave do lugar 
O petróleo, a cebola, o aguardente
O nordeste é auto-suficiente
O seu lucro seria garantido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Se isso aí se tornar realidade
E alguém do Brasil nos visitar
Nesse nosso país vai encontrar
Confiança, respeito e amizade
Tem o pão repartido na metade,
Temo prato na mesa, a cama quente
Brasileiro será irmão da gente
Vai pra lá que será bem recebido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Eu não quero, com isso, que vocês
Imaginem que eu tento ser grosseiro
Pois se lembrem que o povo brasileiro
É amigo do povo português
Se um dia a separação se fez
Todos os dois se respeitam no presente
Se isso aí já deu certo antigamente
Nesse exemplo concreto e conhecido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

(Esse comentário abaixo da Elba Ramalho foi ao vivo,
não faz parte da letra da música):

Povo do meu Brasil
Políticos brasileiros
Não pensem que vocês nos enganam
Porque o nosso povo não é besta