Natal de Jesus!
Este espaço, tem como objetivo principal, divulgar as vozes poéticas da caatinga nordestina,em grandeza, beleza e dificuldades...Vozes daqueles(as) que vivem a respirar pela arte, o silêncio e os gritos do povo e da terra deste lugar... Mostraremos retratos sentimentais de um bioma rico em diversidade de vidas e culturas, mas que no entanto, pouco é estudado, e menos ainda compreendido...Um bioma que muda a cara para sobreviver as prolongadas estiagens...
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Caatinga/ mandacaru em flores
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2020
Natal de Jesus! - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
quinta-feira, 3 de dezembro de 2020
Vivo pela fé! Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
Vivo pela fé!Quanta vida, nosso Deus tem me dado! E sempre feliz com Cristo, mesmo nas maiores adversidades, ele me acompanha, me toma pela mão e me mostra a esperança... Minha vida foi muito difícil na infância e adolescência, pois tudo me faltava, até o alimento não tínhamos no fogão e nem na mesa. Era triste demais a realidade da minha família... Porém, na nossa vida a gente tinha a esperança e principalmente, a fé, está nunca nos deixou sozinhos. Nosso lar era Cristão e eu era a mais íntima da igreja. Todo dia eu rezava várias vezes e pedia socorro a Deus e ele ia nos permitindo sobreviver, mas com muito sofrimento.Nesse tempo de sofrimento vi vários irmãos e irmãs morrerem por conta da precariedade vivida, e ninguém podia fazer nada, tínhamos que aceitar e esperar em Deus, na esperança e fé que tudo um dia ia mudar para melhor... E mudou! Pelos os estudos fomos sendo salvos e conseguindo ajudarmos uns aos outros, e assim saímos da miséria que nos maltratava. De todos da família, eu fui a primeira que venci e servi de exemplo para os demais familiares. E até hoje por ser a mais velha dos irmãos contínuo sendo referência para todos e todas. Essa missão me foi dada por Jesus Cristo, quando nas muitas lágrimas choradas, ele me dava a fé e eu continuava caminhando e conseguindo extrair as grandezas da vida. Nesse tempo, eu já era poetisa, mas nem eu mesma sabia, embora perceber-se que tinha muita facilidade para conversar em particular com Deus e também lhe louvar por tudo, mesmo naquela vida de tristeza...Ainda tenho claro na minha vida o dia em que Deus me tirou para sempre da pobreza. Era o dia do meu aniversário de vinte anos, quando recebi a notícia que havia sido aprovada no sexto lugar em um concurso para professores da rede estadual de ensino. Esse fato mudou da água para o vinho a minha vida. E tudo aconteceu num piscar de olhos, pois fui dormir na miséria e acordei com a certeza da fartura. Daí para a frente só fui vencendo todas as batalhas que enfrentava, mas uma coisa é certa, minha vida era entregue a Jesus e foi ele quem sempre venceu por mim, porque eu sempre me senti acompanhada pelo seu poder.Atualmente vivo atravessando uma batalha, esta é na minha saúde, mas eu também me sinto acompanhada por Jesus, esse Deus Supremo, que tudo pode e quem está com ele sempre vencerá. Eu creio nas maravilhas que ele está fazendo a cada dia em mim. E somente a ele eu entreguei meu viver desde a mais tenra infância.
***
Maria de Fátima Alves de CarvalhoPoetisa da CaatingaNatal, 26.11.2020
terça-feira, 20 de outubro de 2020
Sempre feliz... Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
Sempre feliz...
Mais um dia estou vivendo na convivência com o câncer...
Tenho muitos médicos e também muitos
remédios. Mas uma coisa é maravilhosa!”Eu não sinto nada” e só
pode ser Deus me abençoando todo dia e toda hora.
Tendo estado assim tão bem! Eu
agradeço infinitamente ao nosso Deus em nome do seu filho amado Jesus Cristo,
por ter me poupado todo esse tempo, dos sofrimentos advindos da doença. E digo
para todos que por mim passarem, que sou e estou extremamente feliz e confiante
em um Deus que tudo pode... Não nego que às vezes me bate um medo, mas me
entrego a Jesus e ele o espanta para bem longe... Nesses dias minha vida tem
sido pautada por fé e esperança, bem como, por uma profunda vontade de viver
sem o fantasma da morte... E isso Deus tem me permitido.
***
Maria de Fátima Alves de Carvalho
Poetisa da Caatinga
Natal, 20.10.2020
segunda-feira, 12 de outubro de 2020
Retratos de mim - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
Retratos de mim
Do meu tempo passado
Que me fez...
Me desfaz e refaz...
Retratos ficaram
E continuarão se emoldurando
Pela lente do tempo
São memórias arquivadas
Em quadros expostos
Ou lembranças guardadas
Nas páginas de álbuns
Onde a vida é pintada
Com as cores sentimentais
E escrita a luz da alma...
***
Maria de Fátima Alves de Carvalho - Poetisa da Caatinga
Natal, 25.08.09
Texto publicado no meu 5º livro "Palavras de Luz..."
Foto de Emanoel Milhomens
sexta-feira, 2 de outubro de 2020
A vida não é fácil para quem nasce pobre... - Voz poética de Poetisa da Caatinga
Nasci sem berço...
E a minha vida foi toda de superação...
Tudo que se pode imaginar me faltou
Apenas o amor esteve presente
Andando comigo e minha família
Durante toda a caminhada
Até chegarmos na última parada
Onde nos fixamos pra morar
E lá a vida miserável que tínhamos
Começou aos poucos a melhorar
Mas ainda assim,
Passamos duas décadas sofrendo
Até eu concluir meu ensino médio
E passar em um concurso da rede estadual
Esse fato foi um marco na minha vida
E de toda a família
Porque eu servi de incentivo e exemplo
Para meus familiares e todas as pessoas
Que viviam uma vida cruel como a nossa
Mas, não foi só isso!
No ano seguinte eu passei no vestibular
Para o curso de Pedagogia na UERN
E mais uma vez servi de exemplo para meu povo...
Com essa segunda conquista me senti mais forte
Agora eu já podia sonhar mais alto
Pois vivendo na miséria
Até nossos sonhos são limitados
Na adolescência eu cheguei a sonhar alto
Pois sonhei em ser médica
Mas medicina naquela época não tinha na UERN
Então o que seria melhor para mim
Era Pedagogia, porque eu já era professora
E sem falar no meu sonho de ser escritora
Que este eu tinha desde menina
A minha última conquista
Foi mostrar meu talento ao mundo
Escrevendo nas redes sociais
E observando os comentários
De cada texto por mim publicado
Os resultados foram ótimos
Nunca recebi críticas negativas
E neste ano de 2018 eu publiquei meu 4º livro
Chamado “Letras de Caatingueira”
E sei que esse não será o último
Porque já tenho o 5º livro no prelo
Só aguardando recursos financeiros
Para mostrá-lo ao mundo
E mais uma vez me superar
E servir de exemplo para o povo da Caatinga...
Vou parar por aqui... Pois minhas vitórias
Só se explicam pelo poder de Jesus Cristo
De quem sou humilde serva...
***
Maria de Fátima Alves de Carvalho - Poetisa da Caatinga
Natal, 29.10.2018
domingo, 6 de setembro de 2020
Meu jeito de escrever - Voz poética de Poetisa da Caatinga
Meu jeito de escrever
Sou poetisa da vida
Não aprendi na escola
Nunca pensei seguir estilo
De qualquer que seja o poeta
Nem tão pouco escrever
Pensando em vender meus livros
Pois sei que passo invisível
Pelo povo de minha terra...
Mas isso não tira de mim
Jamais o meu dom Poético
E só escrevo o que a mente
Canta ou fala em mim
As vezes escrevo em métrica
Sem saber contar as sílabas
É o canto que canta em mim
Que me leva a escrever
As letras desse cantar
Que vivo a escutar
Por isso não posso parar
De escrever ou falar
A linguagem da minha alma
As vezes escrevo em rimas
Mas nunca fui atrás delas
É canto que canta em mim
sem parar um só instante
Que me leva a escrever
O silêncio que é cantado
E só eu posso escutar
Depois pro papel passar
Sonetos eu escrevia
Sem saber as suas regras
Pois em mim eles cantavam
E na de escrever
contava apenas os versos
Mas logo os deixei de lado
Num dia que fui estuda-los
E os vi com sílabas contadas
Deu um jeito todo amarrado
As trovas também eu fazia
Minha mente as cantava em canções
E eu simplesmente escrevia
Com as letras do meu coração
Mas um certo dia então
As trovas mostrei a alguém
E este logo me disse
Que elas não eram trovas
Me disse então que as trovas
Eram textos complicados
Mas se eu acaso quisesse
Ele então me ensinava
Resolve desde então
Esquecer qualquer estilo
E continuar escrevendo
Os cantos
Que cantam em mim...
O que vier eu escrevo
E não importa o que seja
Crônica, prosa ou poema
Vou vivendo e escrevendo
Sem me importar com ninguém
Sonetos e trovas pra mim
Hoje transformo em poemas
De um jeito que eu só meu
Pois nascem do meu viver
Versos livres eu escrevo
Como o ar que eu respiro
Eles, também vem cantando
Mas muitas vezes chorando...
E em outras chegam sorrindo!
As palavras moram em mim
E eu vivo nas palavras...
Em desejo ou de verdade
Não tenho dificuldades
De escrever o que sinto
Nos meus textos vivencio
Sentimentos bem diversos
Apenas transcrevo os cantos
Que só eu mesma escuto
No mundo não há escola
Que faça alguém ser poeta
Porque essa escola é a vida
Que cada um vai vivendo...
Me acho bem corajosa!
De expor o meu cantar
Não ligo métrica nem rima
De estilo eu não entendo
Escrevo por uma missão
E essa certeza eu tenho
Porque diz a minha alma
E assim vou rabiscando
Tudo, tudo! Do meu jeito
Seja em prosa ou em verso
Quem me manda é o coração...
Fátima Alves/ poetisa da Caatinga
Natal, 19.11.2011
Texto inspirado e escrito num ônibus Superlotado, quando eu ia trabalhar. E por acaso estava sentada... o mesmo foi publicado no meu 4º livro "Letras de Caatingueira".
terça-feira, 18 de agosto de 2020
Visita rápida à Caatinga - Voz poética de Poetisa da Caatinga
Visita rápida à Caatinga
Senti vontade de ver
A Caatinga florescida
E a passarada alegre
Cantando em todo lugar
A beira da estrada
Com o vento assoviando alegria
Os açudes todos cheios
E a natureza em paz
E com essa imagem na mente
Viajei sem ter destino
Para ver este cenário
E de fato constatei
Tudo que aqui falei
Num dia só de viajem
Sem puder sair do carro
Por conta desse covid
Foi num domingo de junho
Que fiz este passeio
E a beleza da estrada
Para mim já compensou
O que meus olhos encontrou
E fiquei muito feliz
Por ter saído de casa
E meu ser se contentou
Com tudo que encontrou
***
Maria de Fátima Alves de Carvalho
Poetisa da Caatinga
Natal, junho/2020
sábado, 1 de agosto de 2020
A Igrejinha onde fui batizada - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
Igrejinha tão singela!
Pequenina!
Esverdiada e amarela
Pontuando com sua luz
A cidade de Água Nova
No sertão do Alto Oeste do RN
Destacada entre as serras
Lugar bom de se morar
Pois tem paz pra todo lado
Hoje linda igrejinha
Vim aqui te conhecer
Porque foi em teu altar
Que meus pais me batizaram
Na manhã de um domingo
Com o Sol a nos olhar
Esperando eu chorar
Quando o padre me molhasse
Essa cena acho tão linda
Que desejei retratar...
Nesses meus singelos versos
Onde escrevo meu viver
Com palavras bem comuns
E por isso procurei
Voltar aqui nestas terras
Pra relembrar e sentir
Novamente esse lugar
Que recebe com amor
Nas palavras de Jesus
Quem procura alimento
Para a alma saciar
Um dia cheguei aqui
Pelo o amor familiar
Com sorrisos inocentes
Fui a pia divinal
Recebi selo sagrado
Juramento dos meus pais
E também dos meus padrinhos
João de Lucas e Sinhá
Casal a quem foi confiado
Miinha vida orientar
Caso um dia eles faltassem
E eu menina inda fosse
O tempo passou ...passou...
E pelas ondas desta vida
Fomos levados à outras terras
Quando ainda criança eu era
E nesses lugares não meus
Cresceu então meu espírito
Da igrejinha singela
Já não me lembrava mais
Minha crença foi mudando
Católica deixei de ser...
Mas cristã sempre serei!
E aquela sementinha
Que um dia foi plantada
No coração da minha alma
Nasceu e sobreviveu
Às secas e tempestades
Porque Deus a protegeu
E devagar a transformou
Numa árvore bem frondosa
Que dar frutos e sementes
Para o vento semear...
***
Maria de Fátima Alves de Carvalho - Poetisa da Caatinga
Natal, 02.02.2010
Texto publicado no meu livro "Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga"
Edição do autor - 2010
Foto de Emanoel Milhomens
domingo, 21 de junho de 2020
Divino Beija-flor - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga

Divino Beija-flor
Leve e veloz,
Ao voar de flor em flor,
Baila feliz no ar o beija-flor!
Em cada jardim que encontrar
De um reino em cores
Vai desfrutar...
E quando a noite
Então chegar
Dorme feliz sempre a sonhar
Bem cedo acorda o beija-flor
E um jardim vai visitar
Nesta manhã de tanta cor
Um beija-flor vive a bailar
Bailar no ar...
Cheirando as flores
Essa é a vida do beija flor
Na primavera o beija-flor
Fica feliz com tantas cores
E a magia de cada flor
Vem visitar com muito amor
E com perfume
Da Rosa-Amélia
Leva saudades
Pro bem-me-quer
Olho no meu jardim florido
E lá estar o beija-flor
Que ao beijar o meu jasmim
Um bugari deixou pra mim
E a bailar meu beija-flor
Logo amanhã há de voltar
E outra flor vem me deixar.
***
Maria de Fátima Alves de Carvalho - Poetisa da Caatinga
Natal,31.12.2007
Texto puiblicado no blog da Escola de Gestores -UFRN e também no meu livro "Florescer da Alma".
sexta-feira, 19 de junho de 2020
Versos pra Maria - Voz poética de Emanoel Milhomens
segunda-feira, 8 de junho de 2020
sexta-feira, 5 de junho de 2020
Minha Mãe Terra - Voz poética de Fátima Alves / Poetisa da Caatinga
domingo, 31 de maio de 2020
Saudades da caatinga - Voz poética de Fátima Alves / Poetisa da Caatinga
Neste ano bem atípico
Assolado por uma pandemia
Eu não posso viajar
Para ir visitar a caatinga
E por isso sinto saudades
Desse tempo de chuva e sol
Em que o bioma fica verdejante
E a vida flui em harmonia
Isso para os meus olhos
Tem beleza singular
E meu coração palpita
Me fazendo então chorar
Eu choro de alegria
Viver longe eu não queria
Mas a vida me levou
Pra bem pertinho do mar
Onde vim pra encontrar
Um viver mais sossegado
Sem as secas tão malvadas
Que castigam a caatinga
O lugar em que nasci
E por muito tempo vivi
Sentindo a seca na pele...
***
Maria de Fátima Alves de Carvalho
Poetisa da Caatinga
Natal, 30.05.2020
Foto de minha autoria
segunda-feira, 18 de maio de 2020
terça-feira, 21 de abril de 2020
Resistência - Voz poética de Emanoel Carvalho - Poeta Micaelense
RESISTÊNCIA
Os reservatórios secaram enferrujou-se a enxada
quem tinha rebanho bovino, quase que fica sem nada
para juntar o rebanho não precisava chicote
Bastava o gado escutar o caminhão descer o serrote
Que já sabia que vinha a carga de capim seco
Para livra-los da morte
E o nosso agricultor que cultiva para viver
Sem ter água nada brota oh povo para sofrer
É um dia passando fome outro sem ter o que comer
Mendigar é vergonhoso só Deus pra lhe socorrer
EMANOEL CARVALHO
28/02/2015
Meus cães! Voz poética de Fátima Alves / Poetisa da Caatinga
sexta-feira, 20 de março de 2020
A caatinga renovada... Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
quarta-feira, 11 de março de 2020
Agradecimento nordestino... Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
sexta-feira, 6 de dezembro de 2019
Para uma Roseira que sobreviveu a seca de 1958 - Voz poética de Fátima Alves
Para uma Roseira que sobreviveu a seca de 1958
Dizem, que a minha Roseira, ainda sem botões e sem flores, já se mostrava linda... Mas naquela terrível seca, para não morrer por falta de nutrientes, seus pais a passaram para ser cuidada por uma tia (Maria josé) que tinha mais condições.
Teve que deixar seu lar
Seus irmãos e irmãs
Seus amigos e amigas
E eu, fico pensando... Será que ela chorou?
Ou por ser inocente se alegrou?
Sei que lá junto a sua tia
Ela viveu feliz por vários anos
Transitando entre a saudade e a bonança
Coitada da minha mãe Roseira!
Menina morena!
De olhos cor de jabuticaba
Era magra, com cintura fina feito pilão
E tinha lindos e longos cabelos pretos
Mais belo ainda!
Era seu nome!
Maria Jacira!
Nome de Santa e de Índia
Essa roseira, tinha um apelido
Todos a chamavam de Jarina
E por esse nome ficou conhecida
Jarina, é uma linda e imponente planta da Região Amazônica
Da qual, de cujos frutos, saem belas sementes
E os povos da floresta, os transforma em lindos colares
Eu não sei o por que desse apelido?
Mas adorei! Quando conheci a história da planta.
E minha Roseira, num cenário de seca e terror
Viveu bons momentos...
Num tempo em que a fome
Matava muitos membros das famílias
Algum tempo após essa seca
A Roseira voltou para seu lar
E lá, só ficou por pouco tempo
Pois logo, ela encontrou um cravo
E com ele se casou.
Ah! Penso que não era o cravo esperado
Ele apenas a seduziu pela beleza
Que nela havia
E todo ano essa Roseira junto a esse cravo
Gerava um botão que depois
Desabrochava em flor
Mas a flor murchava e caía
Não chegava a frutificar
E alguns botões nem desabrochavam,
Caiam antes mesmo de chegar ao estágio de flor
Eu fui seu segundo botão a desabrochar e virar fruto
Pois o primeiro, murchou e morreu assim que desabrochou
E de todos os botões e flores da minha Mãe Roseira
A natureza selecionou apenas 08 ( oito)
Para chegar a ser flor e fruto
E começar um novo ciclo de vida
E assim,
De tão sofrida pela vida...
De tanto lutar para sustentar seus frutos
Maria Jacira
Ou
Simplesmente Jarina
Adquiriu várias patologias
Inclusive mental e cardíaca
Mas ainda em vida
Ela viu e contemplou a beleza
Dos seus frutos que a vida selecionou
E lhe deu como Dádiva de Deus
Depois ela se foi...
Para sempre!
E eu vivo a escrever para ela
O que em vida tinha vergonha de dizer
Coisas da nossa cultura familiar...
A gente não era apegado fisicamente
Porém, entre nós, sempre houve um eterno amor.
Te amo! Minha Roseira Maria Jacira
Ou apenas,
Minha Mãe Jarina...
Uma frágil Roseira
Santa e Índia!
Fatima Alves/ poetisa da Caatinga
Natal/30.11.2011
quinta-feira, 21 de novembro de 2019
Ao Eremita meu Avô - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
Há muito tempo meu querido avó
Sinto vontade de escrever sobre você
E hoje tive coragem de retratar por palavras
Um pouco do seu jeito de viver...
Um jeito único no meu universo familiar
Pois não conheci nenhum outro semelhante
Mesmo fora da família
Você meu amado avô!
Era diferente de todos os homens que conheci
Você não parecia com gente
Seu perfil era de anjo
Um anjo habitante da montanha
Protetor de toda a natureza...
Você vovô foi eremita
Contam-me...
Sua esposa querida Rita
Uma mulher quase menina
Que faleceu durante o parto da minha tia Antônia
Eu nunca lhe perguntei sobre isso
Porque enquanto criança
Mas logo cedo, quando aprendi a ler
Percebi que você era um eremita
E que conseguia viver sozinho
Completamente isolado do mundo civilizado
Isso eu sempre admirei!
Como eras, desprendido do mundo material!
Teu mundo era as montanhas
E seu casebre ficava no morro mais alto
Fato que lhe mantinha isolado
Mas também contemplativo
Daquele nosso mundo
Das outras comunidades
Toda a sua família morava ali
Mas você não visitava ninguém
Só saia de casa para ir na cidade
Comprar algo que precisava no dia a dia
Como: açúcar, grãos de café, bolachas e outras coisas
Que na roça não existiam
E parecia não sentir a necessidade de ser visitado
Mas a gente lhe visitava sempre
E ficávamos vários dias com você
Naquele casebre que mal nos protegia da chuva
Pois não tinha mais paredes na maioria dos cômodos
E a gente nem tinha medo
Dormíamos olhando as estrelas
Estar com você vovozinho era estar na paz
Pois no seu casebre tinha sempre um fogo aceso
E sua rede armada perto do mesmo
Ali não havia frio!
E havia acima do fogo uma chaleira de café ou chá
Pendurada por um arame
Que nunca esfriava
Estava sempre quentinha para ser servida
Ao lado da parede tinha uma mesa com gavetas
E acima desta mesa, alguns quadros de sua crença católica
Na casa havia vários bancos e baús
Além de pratos, inclusive alguns de barro
Colheres ,alguidares e panelas
E nessa simplicidade você era feliz
Disso tínhamos certeza
Porque todos nós amávamos o vovô Herculano
E quando chegávamos em sua casa
Era notável sua felicidade
Logo ficávamos neste espaço da sua rede e do fogo
E Você nos contava histórias
Cantava suas músicas
E falava das criaturas do outro mundo
Só saia da rede pra cuidar da pequenina roça
Pegar água no olho d’agua
E alimentar seus cães e gatos
Os quais eu adorava!
E foi de você e do meu bisavô
Que penso ter herdado
Um amor eterno pela natureza
E em especial pelos cães.
E mais ainda...
Eu também gosto de viver reservada
Cuidando da natureza
Meditando sobre a vida
Minha e do outro
E escrevendo...
Ah Vovozinho!
Que até hoje, ainda sonho muito com você
E em cada sonho me vejo sendo sua neta menina
Aquela que você muito adorava
E ensinava a rezar...
Hoje eu não tenho nenhum retrato seu
Mas te vejo sempre em minha mente
De calça preta e camisa azul celeste
Indo a cidade com um jumento e caçuás
Para receber seu aposento e fazer pequenas compras
Nas quais vinham nossas deliciosas bolachas
Pra nos serem oferecidas em cada visita...
Ah! Vovô Herculano!
Eu penso que um coração eremita nunca morre...
Se eterniza pelo amor!
***
Maria de Fátima Alves de Carvalho ( Poetisa da Caatinga)
Sua eterna neta...
Natal, 15.12.2010
Editora : PerSe










