Postagens populares

Caatinga/ mandacaru em flores

Caatinga/ mandacaru em flores

Árvores da Caatinga

Árvores da Caatinga
Mufumbo florido

Visitantes

sábado, 21 de abril de 2018

Chove na Caatinga! Voz poética de Fátima Alves

Foto de Autoria de Emanoel Milhomens
















 E a Caatinga de repente acordou
Se cobriu toda de verde
 Verde de vários tons
 E agora sorri florida
 Para os céus!
Chuva aqui é benção...
 É amor de Deus por nós!
 É tudo de bom !
 Que nós sertanejos e sertanejas
 Esperamos todo ano...
E  quando chove celebramos
 O amor! A fartura! E a felicidade...
 Somente quem vive na Caatinga
 É que sabe realmente
 O valor que tem
Uma sagrada chuva...
 Pois nosso mundo se transforma
 Acendendo a esperança!
***
Maria de Fátima Alves de Carvalho
 ( Poetisa da Caatinga)
 Natal,15.04.2018

terça-feira, 27 de março de 2018

Falta chuva na Caatinga...Voz poética de Poetisa da Caatinga


Foto de autoria de Fátima Alves / Poetisa da Caatinga















Aqui no RN a Caatinga pede preces
Para Deus fazer chover
Nessas terras semiáridas
E seu povo bem feliz!
 Ver crescer as plantações
 Que de tanta estiagem
Já começam a morrer!
 Pois o sol está queimando
Cada dia um pouco mais...
E a gente fica triste
Nesse cenário de dor!
Ninguém aguenta mais
 Tantos anos de secura!
 A natureza sofrendo
 Por não receber mais as chuvas
 Rezas !
Promessas!
Louvores!
 De tudo a gente já fez...
 Mais parece que Deus
 Não escuta!
 Esse povo sofredor...
Chegamos a pensar isso!
Quando olhamos para o céu
 E entregamos a alma
 Para ele socorrer...
 Meu Deus manda a chuva!
 Pra gente deixar de sofrer...
***
 Maria de Fátima Alves de Carvalho
 (Poetisa da Caatinga)
 Natal,27.03.2018

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Extenso verão... Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga


Extenso verão...
Ah verão! Que não passa...
Não maltrate mais o povo!
Se retire por favor!
 E deixe o inverno chegar...
Aqui só temos duas estações
 O período da seca
E o período da chuva
 Mas sempre prevalece
 O tempo seco
E nesse tempo a caatinga dorme...
Parecendo está morta!
 É um período de privações
E sofrimentos...
 Porque nos falta a água!
 Somente quem é da caatinga
Pode sentir  de fato
 O valor de uma chuva...
Aqui nós imploramos
A Deus para chover
 E chover muito
 O suficiente para
Uma colheita farta
E para encher açudes e barragens
Tudo isso para nós é felicidade!
Pois plantar e colher
Traz dignidade  e bem estar
 Para a gente da Caatinga
 Essa gente que tem
Por natureza...
 Uma alma boa e forte...
***
 Maria de Fátima Alves de Carvalho
Poetisa da Caatinga

 Natal,30.01.2018- Créditos das fotos: Fátima Alves - Poetisa da Caatinga

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Um Natal Espiritual - Voz poética de Poetisa da Caatinga

Imagem retirada do google
Um Natal espiritual

Um natal espiritual
Foi o que nos ensinaram a conhecer
Nele não havia essas festas
Nem presentes
Em papai Noel a gente nunca acreditou
E ainda bem que aprendemos assim
Porque ficaríamos muito tristes
Humilhados e infelizes
Se o bom velhinho não nos visitasse
Se todo ano nos esquecesse
Sem nunca se justificar
Mas não tínhamos essa fantasia
Por isso não houve lacuna na ausência
Do tão querido papai Noel
Nosso Natal era diferente...
E a gente o sentia de forma real
Em espírito!
O comércio ainda não tinha chegado
Entre nós com sua boca de dragão
Para deturpar o sentido do nosso natal
No mês de dezembro
Mesmo vivenciando grandes dificuldades
Havia uma magia a nos envolver
E nossos corações se preparavam
Para uma festa celestial
Onde Jesus menino viria nos visitar
No momento em que nascesse
Nisso nós acreditávamos
Então, quando chegava o dia 24 de dezembro
Nossos casebres eram arrumados
A comida era melhorada
Tinha sabor e cheiro especial
E nossas roupas, as vezes novas, as vezes não
Eram passadas e penduradas com carinho
Para vestirmos na missa da madrugada
Lá na igreja da nossa pequena cidade
Onde todos se confraternizavam
Com um abraço e palavras de feliz Natal
Depois da missa os jovens ainda ficavam
Na praça da igreja ou na festa dançante
Que sempre havia nessa noite
E quando o Sol do Natal chegava
A comunidade se encontrava contagiada pela paz
Esse clima se sentia na alma
E se compartilhava com nossos vizinhos
Fazendo uma visita às famílias próximas
E levando de costume
Um pedaço de um bolo bem simples
Que a família tinha feito na tarde anterior
E a família que recebia o retribuía
Num ato singelo de fortalecimento
De elos de amizade entre ambas
Assim, dessa forma tão simples
Vivíamos em espírito
Os natais da nossa infância e adolescência
Podendo sentir de forma simbólica
O verdadeiro sentido dessa festa
E apesar da história ter nos mostrado
Que Jesus não Nasceu em Dezembro
Essa data escolhida pelos cristãos
Tem toda a magia e grandeza da noite real
Essa que na história se perdeu...
Mas é uma pena!
Ver uma noite tão bela
Sendo palco pra reinado material
Onde o consumismo rola e deita
No presépio!
***
Maria de Fátima Alves de Carvalho
(Poetisa da Caatinga)

Natal,14.12.09

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Versos para minha eterna Lua - Voz poética de Poetisa da Caatinga

















Versos para minha eterna Lua

Saudades de ti minha doce lua
É o que vivo a sentir...
Penso em ir te encontrar
Mas tenho medo de voar
Me contento em só te ver
Mesmo sem poder beijar-te

Lua minha ! Sou alegre...
Mas sem ti não sou completa
Em meu nobre coração
A saudade se instalou
E colocou sua bagagem
Nos lugares que eram seus

Sabes, minha Lua querida!
Caso eu demore a te encontrar
Não pense que te esqueci
Inda guardo  comigo teu lugar
Arrumado e sempre  perfumado
Com ternura e  muito encanto
No meu nobre coração
***
Maria de Fátima Alves de Carvalho
(Poetisa da Caatinga)
Natal, 11.04.09

“Versos para minha filha Ana Sara”

 Crédito da foto: Fátima alves / Poetisa da Caatinga

sábado, 23 de setembro de 2017

Vivências do meu passado - Voz poética de Poetisa da Caatinga

















Vivências do meu passado

Vivências do meu passado
Lá dos tempos da infância
Bem frequente em mim despertam
E me levam para a Serra
Nossa Serra Terra Mãe
Onde ainda tenho o berço
Que espera a minha alma
Para um dia descansar

No silêncio do meu ser
Volto sempre a minha Serra
Muitas vezes é verão
Mesmo assim eu quero ir
Abraçar meu juazeiro
Que insiste em me chamar
Pra sentar á sua sombra
E com ele conversar

A Caatinga seca está
Porém, nada ali morreu
Compreendo o meu lugar
Sei que ela adormeceu
E sentirá meu amor
Quando seu solo eu beijar
Momento em que lhe acordo
Pra ela ouvir meu cantar

Hoje canto minha terra
Num sentir que vem da alma
Na caatinga eu nasci
Numa Serra muito bela
Onde em tempo de inverno
Era o nosso paraíso
E no verão tão castigado
A vida tinha mais valor

Volto alegre a minha Serra
Onde eu não pude ficar
E na busca pra viver
Muitas terras desbravei
Até chegar nesse mar
Onde decidi ficar
Buscando vida melhor
Mas pra Serra hei de voltar

Maria de Fátima Alves de Carvalho
( Poetisa da Caatinga)
Natal, 08.11.09
Texto do meu livro "Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga"

Crédito da foto : Emanoel Milhomens


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

“Aos anjos meus irmãos” - Voz poética de Poetisa da Caatinga

                            “Aos anjos meus irmãos”

Planto flores de todas as cores
E penso em vocês anjos das dores
Cada sorriso!
Cada cheiro!
Cada olhar!
Cada dor!
Ah, meus anjos irmãos!
Das suas dores inda me lembro...
E sinto em mim todas elas!
Naquela sequidão...
Era difícil até as flores
Pra aliviar as dores!
Mas o nosso céu era tão azul
E tinha nuvens branquinhas
Fofinhas e perfumadas
Só pra receber vocês
E depois Deus vim buscar
Era assim que eu pensava...
E hoje pra cada um cultivo flores
Junto com meu eterno amor...

“Aos anjos meus irmãos( Francisco, Mª Gorete, Jusciene, Juscilene e Geovane)”
Texto do meu livro “Palavras Singelas e Encantamentos...”

Autora:
Maria de Fátima Alves de Carvalho
Foto de minha autoria

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Inspiração no por do Sol - Voz poética de Poetisa da Caatinga


Inspiração no por do Sol

Tarde de junho...
Um final de dia como outro qualquer
Mas a inspiração me pega pela mão
E me convida a contemplar
O majestoso Sol que se vai
E já dourou o horizonte
Com seu toque de magia
Deixando na maciez das nuvens
Os reflexos da sua magnífica luz
Luz da vida
Luz do calor
Luz da alegria
Luz da magia
Luz da esperança
Luz que vai... mas sempre volta
Luz que nunca se apaga
Claridade que envolve e aquece a terra
Fazendo brotar a diversidade da vida.

Maria de Fátima Alves de Carvalho – Poetisa da Caatinga
Natal, 21.06.09


domingo, 23 de julho de 2017

Minha infância - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga



Minha infância -  Ensaios poéticos  ( antes de me mostrar escritora)
                              ******Minha infância*******
Texto escrito antes de me tornar oficialmente poetisa e escritora
           Quando criança vivi uma infância repleta de experiências  necessárias á constituição do sujeito desejante e aprendente que habita meu corpo e meu organismo. Juntamente com meus irmãos e irmãs vivenciamos as mais diversificadas  experiências, envolvendo alegrias, tristezas, dores, magia, inocência e encantamentos. Tivemos que viver muitas situações desagradáveis, mas sempre prefiro descrever as cenas agradáveis, embora, aquelas dolorosas também tenham sido importantes para a estruturação da nossa modalidade particular de ensinar e aprender.
            Nossa vida era tão simples! Que sempre me senti misturada a natureza, nunca me vi a parte dela. Aprendia a ver o mundo com os olhos da minha pequenina inocente alma.  E dessa forma, o nosso tempo transcorria sem que a gente percebesse, entre os caminhos de casa para o rio, para a roça e para a escola. Naquele recanto do nosso pequeno mundo, tudo que fazíamos tinha grãos de esperança para nos sustentar até a chegada da colheita.
           Agora que vejo, lá atrás a minha mocidade... Gosto de lembrar ternamente dos momentos em que brincávamos livremente pelos campos, os quais, na maioria do tempo, se mostravam secos, mas tinha seu tempo de ficarem verdes e alegres, num período que parecia um paraíso. Esse tempo era o inverno, que chegava cheio de bonanças, trazendo  os animais silvestres, e verdejando a mata, que orgulhosa, se enfeitava com singelas e raras flores. Pela lente do meu olhar, tudo ali era singelamente belo e encantador.
            O Rio! O Nosso Rio... corria bravamente ou serenamente pelas serras e vales. Um espetáculo que todo ano vivenciávamos de forma impar, pois jamais foi igual para nosso olhar e sentir... No ar, sentíamos a brisa fresca, misturando-se  ao perfume das flores. E tudo nesse tempo nos fazia felizes. Simplesmente, porque a água na caatinga, chega como uma deusa e faz tudo que é vida acordar para viver intensamente pouco tempo. E na magia desse breve tempo, aprendíamos a arar a terra, a plantar, a cultivar e a esperar o tempo de colher e de pescar. Ao mesmo tempo, era também possível  vivenciar as mais agradáveis brincadeiras, próprias da nossa cultura, como, tomar banho  no rio, nadar de diversas maneiras, pular  do alto das ingazeiras, oiticicas ou das ribanceiras, nas águas marrons ou cristalinas do nosso rio, pois ele vivia mudando de cor a cada temporada de chuvas.
             E quando então chegava as tão esperadas noites de lua cheia, nos encantávamos com a beleza do seu véu de claridade, e como lá no sítio ainda não tinha chegado energia, nem televisão, o terreiro das casas se transformavam em palco, onde brincávamos de cantigas de roda,, bandeirinhas, cair no poço, tica, passar o anel, e outras infinidades de brincadeiras daquela  época.  
              Nas noites escuras, sem lua, sentávamos na salas ou no alpendre á luz da lamparina. E empolgados (as) esperávamos as histórias de trancoso contadas pelos mais velhos. Também ouvíamos frequentemente programas noturnos de rádio.  E quando chegava o final de semana, os terreiros eram varridos para receber visitas a tardinha. E nós crianças brincávamos de casinha e de cozinhar. E ainda  tinha os folhetos das melhores músicas das paradas de sucesso,   e principalmente  os cordéis, que traziam os novos casos acontecidos para serem contados e cantados ali para todos.
             Ao relembrar aqueles momentos, arquivados na memória, sinto-me orgulhosa em poder descrever cenas felizes da minha infância, e no entanto, desejo um dia, quem sabe, escrever um livro e dedicá-lo a todas as pessoas da caatinga, que assim como eu, tiveram o privilégio de nascerem e serem criadas no campo.
Maria de Fátima Alves de Carvalho
Natal, Parque dos Coqueiros-2001
Obs:  O Sonho se realizou. Já escrevi  e publiquei 04 livros. Todos dedicados ao meu povo... 
"Florescer da Alma"/2009
"Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga"/2010
"Palavras Singelas e Encantamentos..."/2011 
"Letras de Caatingueira"/2018

domingo, 4 de junho de 2017

Nossas Vidas juntos... Voz poética de Espedito Segundo - Poeta Pauferrense

Nossas vidas Juntos...
Seis primaveras se foram
Não nos vemos diariamente..
A casa vazia ecoa saudade
Pelos cantos lembranças..
Impaciente, ansioso, paulatinamente espero..
Tudo volta ao normal
Em um breve final de semana.
Sou cavalo-marinho ancorado.
Sua companhia embebeda..
Minha saudade cintilante cheira a álcool.
E assim eu a engano com sua breve presença.
Vou velejando.
Viajando em meus pensamentos..
Viajando pra te encontrar em todo final de semana...
AMO Vocês! Meu Coração se resume em uma saudade semanal...

domingo, 28 de maio de 2017

Um botão da fada - flor -Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga





















Um botão da fada flor

 Um lindo botão de flor
Encontrei no meu jardim
E vou esperar com amor
Que ele se abra pra mim

Nesse botão bem vistoso
Dorme uma flor  encantada
Que anuncia o tempo chuvoso
E pela caatinga é amada

Quando vejo esse botão
Sei que a chuva vai chegar
E o povo do meu sertão
Logo irar se alegrar

É botão da fada – flor
Que o mandacaru gerou
Quem avisa com amor
Que o inverno já chegou
              ***
Natal, 07.12.09

Texto do meu livro "Palavras Singelas e Encantamentos"... 

Foto da autoria de Emanoel Milhomens

sábado, 25 de março de 2017

Sentindo a Serra - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga


















Sentindo a Serra

Na grandeza lá da Serra
Tão pequenina me sinto
Parecendo passarinho
Que no céu pode voar
Vejo o mundo infinito
E do alto eu contemplo
O mais lindo horizonte
Onde mora os sonhos meus...

Na imponência da Serra
O vento canta pra gente
Emitindo os sons da terra
Em brisas ou tempestades
É possível escutá-lo
E também sentir os cheiros
Das flores que ele tocou
Quando por elas passou
E  também ficou cheiroso...

Fátima  Alves - Poetisa da Caatinga
Natal:13.11.09
Texto publicado no meu livro "Retratos Sentimentais  da Vida na Caatinga"
 Crédito de Emanoel Milhomens

sábado, 11 de março de 2017

O despertar da Caatinga - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga














O despertar da Caatinga

Seca...completamente desfolhada
E aparentemente sem vida
Sou a caatinga nordestina
Um bioma frágil, mas rico em fauna e flora
Possuo uma biodiversidade espetacular
Fico assim, durante vários meses
E as vezes até anos
Quem me desconhece
Pensa que estou morta
E me acha assustadora
Mas isso, é apenas uma defesa
Aprendi a me desfazer
Das minhas folhas
E fingir que estou morta
Mas na realidade
Apenas durmo...
E permaneço adormecida
Até que volte a primeira chuva
Assim, economizo água e energia
Faço isso para poder sobreviver
Aos longos períodos de estiagem
Tempo em que o céu não permite
Que as suas nuvens venham me banhar
E embora esse processo seja bem sofrido
Já estou com ele acostumada
E enquanto durmo... Sonho!
Sonho com o momento mágico
Do meu despertar...
Pois quando  cai a primeira chuva
Começo a acordar...


E como num milagre de ressurreição
A vida ressurge em mim
De forma esplendorosa!
Todos os dias, há uma explosão
De nascimentos e despertares
Tudo é grandioso e mágico
Em pouco tempo
O que se mostrava seco e deserto
Transforma-se num paraíso
Com vidas e cores
Muitas vidas! E muitas cores!
Um lugar de encanto e beleza impar
Onde correm riachos e cachoeiras
A flora fica um primor verdejante e florido
A fauna exibe mamíferos
Pássaros e insetos
E tudo se equilibra de forma majestosa
Há ressurreição e nascimentos
A alma da caatinga adormecida desperta!
E vem com ela
A alegria!
A esperança!
E a fartura...
Um cenário que de forma singela e doce
Desperta também a inspiração e a magia
Que faz pulsar fortemente
O coração da poesia
Dos  poetas e poetisas deste  nordeste

Fátima Alves - Poetisa da Caatinga

Natal, 01.09.08
 Foto de minha Autoria

sábado, 28 de janeiro de 2017

Manda chuva Deus!- Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga


















Manda chuva Deus!
Pra Caatinga acordar
E seu povo se alegrar
A seca aqui tá malvada...
Já queimou toda a mata
E os animais se foram...
O sol aqui é escaldante
É difícil suportar!
Mas somos um povo forte
O nosso Deus nos socorre!
E o poder público
Faz de conta que não vê
A miséria se espalhando
E o povo a sofrer...
Orar é a única esperança
Para Deus nos escutar...
Manda chuva Deus!
Manda logo!
Traz socorro pro seu povo
Que pra ti continua orando...
***
Fátima Alves – Poetisa da Caatinga

Natal,28.01.2017
 Crédito da foto: Emanoel Milhomens 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Os danos da Seca no RN - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga - São Miguel / RN

















Os danos da seca no RN...

Há cinco longos anos
Não chove o suficiente
Para acabar com os danos da seca
O RN sofre Com a falta d’água
Em quase todos os nossos municípios
Os reservatórios d’água secaram
Carros pipas abastecem  muitas cidades e sítios
Os rebanhos foram muito reduzidos
Muitos agricultores perderam todo o seu rebanho
Não há água nem alimento para os animais
A situação é muito triste...
A fauna migrou para  lugares distantes
A flora secou completamente
O que se vê é  a mata com cara de morta
O céu se mostra azul turquesa
Com nuvens bem brancas
Ou sem nuvem alguma!
O vento sibila levantando redemoinhos
A poeira toma conta das estradas
E o povo pede e espera em Deus
Para que venha inverno trazendo fartura
Ao  nosso sertão que agoniza na seca
Pois sendo a seca um fenômeno natural
E não havendo medidas preventivas para ela
O socorro só poderá vim de Deus...
***
Fátima Alves- Poetisa da Caatinga
Natal,09.01.2017
 Foto de Minha autoria


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Fonte do bem - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga - São Miguel / RN



Fonte do bem

De ti quero ser uma gota que cai
E junto a muitas... Dar a luz a um rio
Que nasce no alto e desce pro mar
Correndo feliz pra logo chegar
E longe... Bem longe... Poder desaguar

Se eu não puder se essa gotinha
Não fico zangada porque te entendo
Mas vou te pedir me deixa ser flor
Porque suas margens desejo enfeitar
E minhas sementes eu vou semear

Mas se eu não puder também ser a flor
Não vou ficar triste por não te enfeitar
Me deixa ser rocha lá das cachoeiras
Que posso sentir-te em mim a passar
E a tua beleza vai me encantar

Se acaso, você também não deixar
Eu ser essa rocha pra te admirar
Me deixa ser árvore nos vales que passas
Que vou ser frondosa pra ti encantar
E em suas águas que a todos alegram
As mais belas flores  irei te jogar

E ainda assim, se tu não deixar-me
Eu ser o quero e tanto te peço
Irei te pedir que pode ordenar-me
E seja o que for... Eu vou aceitar
Porque em tua fonte eu sempre bebi
E sinto-me pronta pro amor semear
               ***
Fátima Alves – Poetisa da Caatinga
Natal, 25.10.2008

Texto publicado na Antologia feminina do II Seminário  Internacional das Américas em terras potiguares.

Crédito da foto: Emanoel Milhomens

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

De bonecas,cheiros e saudades - Voz poética de Pedra do Sertão

De bonecas, cheiros e saudades




Elas iam em uma caixa de madeira cheiinha de coco, manga, colares de catolé (ainda sinto o cheiro), camisolas de algodão, doce de buriti, rapadura, cajuzinho tudo bem embrulhado por vovô e vovó. Saíam de Juazeiro do Norte (CE) direto para a Vila Ré (SP). Iam por uma transportadora e geralmente chegavam perto do Natal..para nosso fim de ano ficar gostoso...quando não iam com os próprios familiares, tia Rose e tia Elzenir, tio Assis e tia Célia foram portadores dessas encomendas para Almeri Sobreira...As bonecas e seus vestidos coloridos.As bonecas e seu cheiro de algodão cru...As bonecas que ficavam sentadas assistindo as aulas. Alunas de nossa escola imaginária.Uma porta verde era a lousa.Todas obedientes e comportadas!




* foto Restaurante Mangai/João Pessoa - Arquivo pessoal 


domingo, 21 de agosto de 2016

Visões da Lua cheia - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
















Visões da Lua cheia

Hoje vi a Lua cheia
Coisa linda de se ver
Puro encanto prateado
Que seduz os namorados

Hoje vi a Lua cheia
Entre os prédios da cidade
Uma beleza notável
Que mudou este cenário

Hoje vi a Lua cheia
Nascer acima do morro
Trazendo raios de prata
Enfeitados de paixão

Hoje vi a Lua cheia
Da janela do meu quarto
E não pude me conter
Me senti apaixonada

Hoje vi a Lua cheia
Trazer luz pra meu jardim
Claridade sedutora
A flor de cacto despertou

Hoje vi a Lua cheia
Com seu rosto bem feliz
Em véu de prata vestida
Querendo mostrar-se ao seu rei

Hoje vi a Lua cheia
Como sempre solitária
Pois o Sol já tinha ido...
                 ***
Fátima Alves – Poetisa da Caatinga
Natal, 07.07.09

 Texto do meu livro "Palavras  Singelas e Encantamentos"...
Crédito da foto: Espedito Carvalho




sexta-feira, 24 de junho de 2016

Um canto aos encantos do RN - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga

Um canto aos encantos do RN

Nossas terras tão sofridas
Por descuido e pré-conceito
Tem belezas sem igual
Tanto mar... e tantas serras
Temos vales grandiosos
Muitas dunas e salinas
E a singular caatinga
Que pra esperar  a chuva
Perde o verde e fica cinza
Se encanta por um tempo
Mas depois é paraíso...

Nossa terra tão sofrida
Não me canso de cantar
Cada canto onde vou
Vem pedir meu versejar
E se exibe para mim
Pra que eu possa mostrar
Por letras de sentimentos
Como é lindo esse lugar

Nossa terra tão sofrida
Por visões equivocadas
Mostra um povo miserável
Mendigando seu viver
São imagens assustadoras
Para o mundo socorrer
Com remédios analgésicos
Que camufla e não resolve
Humilhando nosso povo
Pra assim sempre sofrer

Eu não gosto de nos ver
Ser retrato de miséria
Gente que vive morrendo
Por não ter cidadania
 Num lugar tão magnífico
“Ser mendigo que trabalha”
Se o trabalho enobrece?
Precisamos desfrutá-lo
Temos frutos pra colher
E não posso aceitar
Que essa seja nossa imagem

Quero ver nossa cultura
Respeitada e difundida
Cada ponto do RN
Tem um jeito de viver
Da caatinga ao litoral
Todo mundo sabe ser
Simplesmente o que se é
Mas precisa condições
Pra chegar aos ideais
Do futuro planejado
Bem melhor que no presente

Nossa terra tão sofrida
Tem riquezas no seu chão
Seus vales, chapadas e serras
Produtivos sempre são
E até a água escassa
Só não chega onde falta
Por não termos instrumentos
Pra chegar no lençol dágua
Que estar no subsolo
E ninguém pode usá-lo

Nosso povo é tão bonito
No seu jeito natural
Quando vive em seu lugar
É o amor que reina lá
Todo mundo é tão unido
E consegue se ajudar
Mesmo nas dificuldades
Se aprende a partilhar
E a dor de qualquer um
Não dói mais pois é de todos

Meu lugar eu sei amar
Do jeitinho que ele é
Se é praia ou é caatinga
Tudo aqui tem seu valor
Não comparo essas grandezas
E respeito as diferenças
Porque cada uma tem
O que Deus determinou
E se a gente entende isso
Só amor vai plantar lá

Eu nasci nessa caatinga
Que parece estorricada
Pra viver eu aprendi
Conviver  com as suas leis
Se tem água vou plantar
Cultivar e armazenar
Pra no tempo que faltar
Já saber onde ir buscar
Sem precisar mendigar
A quem só quer explorar

Uma coisa eu bem sei
Minha alma é desta terra
E não quero ser queimada
Pelo o olhar de quem não sente
Preconceito espanto logo
Somos fortes e valentes
Criativos e persistentes
Canto  o canto do meu povo
E hei de viver cantando
As grandezas potiguares
Vou cantar até  o meu fim...
                 ***

Texto do meu livro "Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga"
Fátima Alves - Poetisa da Caatinga

Natal,11.11.09

“Á terra onde Deus me fez nascer"